O presidente do partido do presidente Jair Bolsonaro (PL), Valdemar Costa Neto, criticou hoje a determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), para que a PF (Polícia Federal) cumprisse nesta quinta-feira (15) um total de 81 mandados de busca e apreensão contra envolvidos em manifestações com pautas antidemocráticas, incluindo bloqueios em rodovias, realizadas contra a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Fique surpreso com a posição de Moraes de mandar a PF ir atrás desse pessoal que está protestando na rua, a favor de Bolsonaro. Essas famílias que estão nos prestigiando têm todo o nosso apoio. O nosso povo que está acampado são pessoas de bem, gente de respeito. Esse segmento de direita terão nosso apoio sempre dentro da lei”, disse o dirigente.
As buscas têm sido realizadas em endereços no Estados de Acre, Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Paraná e Santa Catarina. As medidas foram tomadas dentro do inquérito que apura os atos antidemocráticos relacionados aos atos de 7 de Setembro.
Costa Neto também criticou a investigação aberta pelo ministro Benedito Gonçalves, corregedor-geral da Justiça Eleitoral, que tem congressistas bolsonaristas como alvos por ataques ao sistema de votação eletrônica.
“A Constituição Federal é clara: deputados e senadores têm autonomia para falarem o que bem entenderem, desde que não estejam fazendo mal. Eles estão defendendo as posições deles. Vamos lutar até o final. O que é feito de maneira errada não pode dar certo”, disse.
Bia Kicis, deputada federal (PL-DF);
Carla Zambelli, deputada federal (PL-SP);
Eduardo Bolsonaro, deputado federal (PL-SP);
Flávio Bolsonaro, senador (PL-RJ);
Gustavo Gayer, deputado federal eleito (PL-GO);
Magno Malta, senador eleito (PL-ES);
Nikolas Ferreira, deputado federal eleito (PL-MG).
O presidente do PL se manifestou ainda contra decisão do TSE de manter uma multa de quase R$ 23 milhões aplicada ao PL depois de o partido questionar quase 300 mil urnas eletrônicas.
“Quero dizer para vocês que ficou supresso porque não querer liberar nossas contas, prejudicando nossos funcionários no país inteiro. Inclusive, Moraes falou até em extinção do partido. Isso não tem como dar certo. É só esperar parar ver”, afirmou.
Por unanimidade, o Plenário da Corte Eleitou confirmou, nesta quinta-feira (15), a condenação da sigla ao pagamento de multa por litigância de má-fé.
O TSE rejeitou o recurso do partido e referendou decisão de Moraes, que havia negado a liminar. De acordo com a decisão do magistrado, a legenda não apresentou indícios e circunstâncias que justificassem a instauração de verificação em urnas eletrônicas utilizadas no segundo turno das eleições.
Ao confirmar a decisão na manhã de hoje, o Plenário também endossou o imediato bloqueio do Fundo Partidário do PL até o efetivo pagamento da multa, com o depósito do valor em conta judicial.
O TSE negou o pedido do PL para parcelar o valor. Ao divergir sobre a possibilidade, o ministro Raul Araújo destacou que o bloqueio dos recursos deveria se restringir a 30% dos valores do fundo partidário, até que a legenda pagasse integralmente a multa, para não prejudicar a normalidade das atividades partidárias.
“Ele foi muito corajoso e falou o que deveria ser feito, de liberar nossos recursos. Dinheiro que nós arrecadamos, não é dinheiro público”, elogiou Valdemar.

