Entre os investigados por organizar o transporte de grupos golpistas a Brasília – que no dia 8 de janeiro participaram da depredação das sedes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário —, está Walter Parreira.

Em vídeo gravado dentro de um coletivo, ele próprio anunciou ter organizado uma caravana com 50 ônibus que saíram de Santos. O objetivo, explicou, era “ocupar Brasília e ficar lá até a hora do nosso desfecho, da nossa vitória”, e anunciou: “Vamos para a frente de combate, vamos para o front”.

Parreira aparece no vídeo feito no dia da invasão em meio aos agressores de um policial que estava a cavalo tentando conter os golpistas.

Após a depredação e a chegada do reforço policial, ele voltou para o acampamento à frente do QG do Exército. No dia seguinte, muitos dos terroristas que estavam ali foram presos pela Polícia Militar, mas Parreira continuou em liberdade.

Em vídeo gravado no ônibus que o levou de volta a Santos, ele mesmo explicou como escapou da prisão quando a PM chegou. “Felizmente, fomos orientados por um major, não vou falar o nome dele, mas ele sabe que nos ajudou, a seguir por um caminho alternativo que nos libertou e, consequentemente, consegui trazer esse pessoal para Santos”, admitiu. Não é possível identificar se ele se refere a um major do Exército ou da PM do Distrito Federal.

Na gravação, onde alega estar retornando de um “congresso Seicho-No-Ie”, ele propaga a mentira de que a destruição dos prédios do Executivo, do Legislativo e do Judiciário foi feita por “infiltrados” e compara a prisão dos golpistas ao martírio dos judeus na Alemanha nazista.

Essa passagem me faz lembrar os judeus sendo levados naqueles vagões de gado para Treblinka, Sobibor, Dachau e os demais campos de concentração nazistas. A cena foi a mesma”, exagera.

Trata os militares das Forças Armadas e Polícia Militar como “irmãos em armas e almas” e termina dizendo que “não podemos permitir que nosso Brasil caia nas mãos da esquerda” e que, “como em 64”, tem obrigação de salvar a pátria.

Walter Parreira se apresenta nas redes sociais como sócio-proprietário da empresa Ibéria – Espadas Militares, localizada em São Vicente (SP), especializada em fabricar espadas e outras peças militares para as Forças Armadas e réplicas para empresas como a TV Globo. Registros de órgãos legais na internet confirmam a condição de sócio.

A reportagem tentou entrar em contato com Parreira pelo telefone da empresa, mas duas atendentes negaram que ele tenha qualquer vínculo com a Ibéria.

Apesar disso, quem acessa o site da marca se depara com uma enorme “nota de esclarecimento”, com texto em favor do respeito às opiniões — “quaisquer que sejam” – e garantindo que “falas, postagens e/ou atitudes de qualquer pessoa física não refletem, em hipótese alguma, o posicionamento da marca”.

O questionamento foi enviado para a área de mensagens das redes sociais de Parreira, sem obtenção de resposta.

Coordenador do grupo direitista “Trincheira Patriótica”, que realizou várias carreatas na região de Santos em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, ele agora figura como um dos principais investigados pela PF de organizar caravanas de golpistas a Brasília.


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