O MJSP (Ministério da Justiça e Segurança Pública) faz hoje os últimos ajustes antes de apresentar ao menos dois projetos de lei e uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) para enrijecer a legislação sobre crimes contra o Estado Democrático de Direito.

A iniciativa, em resposta aos atos golpistas de 8 de janeiro, vem sendo apelidada de “Pacote da Democracia”.

Segundo o secretário de Assuntos Legislativos do MJSP, Elias Vaz As, minutas (esboços de norma) devem ser concluídas até o fim desta segunda-feira e seguem para análise final do ministro da Justiça, Flávio Dino, antes de serem enviadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem cabe a última palavra.

A ideia é que o pacote seja apresentado ao Congresso na próxima semana, a primeira após a volta do recesso legislativo e a posse de parlamentares eleitos e reeleitos.

Com a justificativa de evitar novos ataques contra instituições democráticas, o governo fará três propostas principais:

aumentar penas de crimes contra a ordem democrática;

federalizar a segurança na região central de Brasília, com a criação de uma Guarda Nacional;

criminalizar postagens que incitem a violência contra instituições na internet, com a responsabilização de plataformas na internet que não derrubem publicações antidemocráticas.

Internet

Pela proposta, as empresas que gerem as redes sociais, por exemplo, seriam obrigadas a retirar do ar os conteúdos antidemocráticos, que violem as leis de proteção à democracia, antes mesmo de decisão judicial.

No caso de haver ordem judicial, os prazos para cumprimentos devem ser encurtados. Multas devem ser aplicadas em caso de descumprimento.

À medida que você identifica um comportamento claro contra a democracia, não pode ficar esperando decisão judicial para tirar [publicações do ar]”, defendeu Vaz.

Questionado sobre o receio com a liberdade de expressão e de opinião, o secretário disse que a medida deverá ser aplicada quando houver “claramente a violação da lei” e que o projeto se preocupa em proteger as críticas e opiniões dos usuários da internet.

A última alteração legislativa nesse sentido foi feita em setembro de 2021, quando o ex-presidente Jair Bolsonaro sancionou com vetos o projeto aprovado pelo Congresso que substituiu a antiga Lei de Segurança Nacional. Foi vetado, por exemplo, o artigo que tipificava como crime a “comunicação enganosa em massa”.

Em relação aos crimes contra a ordem democrática, a proposta prevê penas aumentadas, mas ainda não há consenso sobre a dosagem.

Atualmente, por exemplo, o Código Penal prevê pena de quatro a oito anos de prisão para quem “tentar, com emprego da violência ou grave ameaça, abolir o Estado Democrático de Direito”.


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