O presidente Lula (PT) elogiou hoje, na abertura do ano judiciário, a atuação do STF (Supremo Tribunal Federal) durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), citando medidas da Corte durante a pandemia da covid-19 diante daquilo que chamou de “inação” do governo e para responsabilizar os golpistas pelos ataques de 8 de janeiro, promovidos por apoiadores do ex-presidente.

‘Daqui desta sala, contra a qual se voltou o mais concentrado ódio dos agressores, partiram decisões corajosas e absolutamente necessárias para enfrentar e deter o retrocesso, o negacionismo e a violência política‘, disse Lula

Embora não tenha citado Bolsonaro nenhuma vez as falas do petista, como a questão da pandemia, remetem ao governo anterior. Bolsonaro mentia ao dizer que o STF o impedia de adotar “qualquer ação” contra o coronavírus quando, na verdade, a Corte só reafirmou a autonomia de estados e municípios para adotar medidas de isolamento, por exemplo.

O presidente destacou o trabalho dos ministros em defender a Constituição e para identificar e responsabilizar por seus crimes aqueles que atentaram “de maneira selvagem, contra a vontade das urnas”.

A história há de registrar e reconhecer esta página heroica do Judiciário brasileiro (…)Mais do que um plenário reconstruído, o que vejo aqui é o destemor de ministras e ministros na defesa de nossa Carta Magna. Vejo a disposição inabalável de trabalhar dia e noite para assegurar que não haja um milímetro de recuo em nossa democracia Lula

Primeira a discursar, a presidente do Supremo, Rosa Weber, disse que os ataques foram promovidos por uma “turba insana movida pelo ódio e irracionalidade“, mas que não foi capaz de destruir o espírito democrático. Ela assegurou que os responsáveis por promover e financiar os atos serão responsabilizados “com o rigor da lei nas diferentes esferas”.

‘Marco histórico’

O STF trata como um marco histórico a retomada dos trabalhos hoje, após a invasão e depredação do prédio durante os atos golpistas.

Tradicionalmente uma cerimônia que apenas registra o início do ano Judiciário, o evento ganhou “peso de posse”, com ao menos 300 convidados, incluindo chefes dos Poderes, ministros de Estado e embaixadores estrangeiros.

A ideia era a de demonstrar um sinal de força, que o tribunal retomará os julgamentos diretamente do plenário, como sempre fez, mesmo após a destruição causada por radicais no início do mês — a Corte instalou uma exposição com objetos do acervo que foram destruídos na ocasião.


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