Após um intervalo de três anos por conta da pandemia, o Carnaval de Belo Horizonte voltou às ruas. No entanto, um dos eventos mais queridos e tradicionais envolvendo a folia na cidade, o Concurso de Marchinhas Mestre Jonas, não vai conseguir realizar sua edição em 2023.
Marchinhas reveladas na disputa como “O Baile do Pó Royal”, “Na Coxinha da Madrasta” e “O Baile do Cidadão de Bem” caíram na boca do povo e se tornaram clássicos da festa de Momo em BH. Segundo Kuru Lima, organizador e idealizador do projeto, o Concurso não vai acontecer este ano por falta de recursos.
“A gente quase sempre teve patrocínio e quando isso não acontecia, eu bancava, fazia esse papel de mecenas. Mas no pós-pandemia, a área cultural ficou bastante prejudicada.
Eu mesmo não consegui assumir e bancar o concurso e, infelizmente, fui atrás dos patrocinadores clássicos (inclusive grandes cervejarias) e algumas sequer me deram retorno”, lamenta.
A última edição do Concurso de Marchinhas aconteceu justamente em 2020, pouco antes da pandemia do coronavírus estourar.
Na ocasião, a vencedora foi “Quem não deu, Damares?”, que ironizou a campanha de prevenção à gravidez na adolescência que estimulava a abstinência sexual, conduzida pela então ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves.
Kuru Lima ainda contou que o certame começa a ser organizado com, pelo menos, dois meses de antecedência. “A gente abria o edital no final de novembro, começo de dezembro. É necessário tempo porque os artistas inscrevem as músicas, tem os arranjos; tem todo um processo. Não dá para chegar simplesmente na véspera do carnaval e fazer”, esclarece.
O idealizador ainda contou que o Concurso também não pode entrar nos editais da Belotur, pois eles não abrangem esse tipo de evento. “Tem alguma norma interna da Belotur que não permite a realização de concursos.
Mesmo o Concurso de Marchinhas Mestre Jonas não sendo necessariamente uma mera disputa – porque envolve shows, tem palco, lançamentos de músicas – eu nunca quis burlar esse processo. É uma pena ele não ser realizado em 2023, mas se Deus quiser, em 2024, ele volta com força total”, anseia.
Para Kuru Lima, além da questão da pandemia, a falta de patrocínio pode ter outras questões envolvidas. Ele acredita que existe uma potência do Carnaval de Belo Horizonte mas, que, infelizmente não tem correspondência mercadológica e nem econômica.
“Acho que é preciso que a população de BH abrace mais, assuma mais a folia e não só os jovens. Só assim o mercado, as empresas, vão ter uma outra postura com relação ao nosso Carnaval. Se a gente tiver uma postura conservadora com relação ao Carnaval, não vamos evoluir nesse quesito. Enquanto ainda colocarem cultura e a diversão em oposição à saúde, educação e segurança, o Carnaval da cidade não vai virar essa potência que tanto queremos. Uma coisa não impede a outra”, opina Kuru Lima, que está organizando o tradicional desfile da Banda Mole, que acontece no sábado 11 de fevereiro na Afonso Pena, e o Carnaval do Mercado Distrital do Cruzeiro, que será realizado entre os dias 16 e 21 de fevereiro.
O Concurso de Marchinhas Mestre Jonas surgiu para homenagear o compositor, sambista e agitador de eventos Jonas Henrique de Jesus Moreira, o Mestre Jonas, que morreu em dezembro de 2011, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC). A primeira edição do projeto aconteceu em 2012.

