O governo Lula (PT) começa nesta semana a megaoperação de retirada de garimpeiros ilegais na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. O ministro da Defesa, José Múcio, vai ao estado na quarta-feira (8) para coordenar a iniciativa junto aos comandantes das Forças Armadas.
A gestão petista avalia que existam ao menos 20 mil garimpeiros ilegais no local, mas o número pode chegar a 40 mil. A redução a zero da exploração ilegal em terra indígena —que explodiu sob o governo Jair Bolsonaro (PL)— é uma das principais promessas de campanha de Lula.
Dois meses de megaoperação. As informações foram confirmadas a reportagem pelo Ministério da Defesa e fontes da Casa Civil. Estima-se que, na previsão mais otimista, a megaoperação dure no mínimo dois meses, mas as Forças Armadas já se preparam para um período maior.
Oficialmente, o governo tem evitado dar detalhes sobre como irá proceder contra os garimpeiros, para evitar fuga, reação e acobertamento dos crimes.
No entanto, já há relatos de fuga por parte dos criminosos desde a semana passada, inclusive com vídeos em redes sociais. Isso foi intensificado após os bloqueios aéreos e fluviais decretados por Lula.
Na última segunda (30), o presidente assinou um decreto em que autorizava a Aeronáutica a controlar o espaço aéreo sobre o território indígena Yanomami.
Aviões e equipamentos de apoio à mineração ilegal poderão ser interditados por agentes da PF (Polícia Federal), do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis) e de demais órgãos do governo, nos casos em que forem constatadas atividades ilícitas.
Ao todo, o território yanomami tem cerca de 96 mil m² e, por razões óbvias, não há um número exato de quantos invasores exploram o local ilegalmente. A estimativa mínima é de 20 mil pessoas, mas pode ser o dobro.
Múcio chega na quarta para marcar o início da ação, junto ao general Tomás de Paiva (Exército), ao brigadeiro Marcelo Damasceno (Aeronáutica) e ao almirante Marcos Sampaio Olsen (Marinha).
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, disse hoje que determinou o deslocamento de mais cem agentes da Força Nacional para Roraima para proteger bases da Funai e postos de saúde.
Trata-se da transição para uma segunda fase da operação na região, segundo o ministro.
A remoção dos garimpeiros de terras yanomamis é uma meta antiga de Lula. Na última semana, durante encontro com o primeiro-ministro alemão, Olaf Scholz, ele reforçou a promessa à imprensa internacional.
Decidimos tomar uma decisão: parar com a brincadeira. Não terá mais garimpo. Se vai demorar um dia ou dois, eu não sei. Pode demorar um pouco, mas que nós vamos tirar, vamos.Disse Lula, na semana passada.

