O Partido Novo pode ficar sem bancada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Os dois deputados estaduais da sigla, Zé Laviola e Dr. Maurício, estão insatisfeitos com as regras da legenda para a formação dos gabinetes parlamentares.

Como o partido do governador não cumpriu a cláusula de barreira na última eleição, os parlamentares estão livres para trocar de sigla sem perderem os respectivos mandatos.

Oficialmente, tanto Laviola como Maurício negam qualquer insatisfação, mas deputados e fontes ligadas ao Novo dizem que os atritos existem, assim como conversas para eles deixarem o partido.

Os candidatos a qualquer cargo pelo Partido Novo assinam documento se comprometendo a seguir as regras do partido, que impõe limites quanto ao número de assessores parlamentares e ao uso da verba indenizatória. Eles também se comprometem a abrir mão de diversos tipos de benefícios, como auxílio-moradia, auxílio-paletó e carros oficiais.

Na ALMG, cada deputado pode ter até 23 assessores. O limite imposto pelo Novo aos seus parlamentares é 12 nomeações por gabinete. Zé Laviola e Dr. Maurício têm 15 assessores cada, conforme levantamento feito pelo Aparte no Diário do Legislativo.

A título de comparação, na Legislatura anterior (2019-2022) Guilherme da Cunha (Novo) tinha em média 8 assessores e Laura Serrano (Novo), 10 — ambos não foram reeleitos.

Outro ponto que gerou incômodo é que o Partido Novo solicitou os currículos dos assessores nomeados nos gabinetes de Dr. Maurício e Zé Laviola para avaliar se eles têm capacidade técnica para exercerem as respectivas funções.

Por um lado, integrantes do Novo afirmam que o atrito não deveria existir porque os dois deputados já estavam cientes das regras quando decidiram se candidatar pelo partido. Por outro lado, eles avaliam que tanto Zé Laviola como Dr. Maurício não têm o perfil do Partido Novo.

A família Laviola está na ALMG desde 1971. Zé Laviola é filho da ex-deputada Celise Laviola e neto do também ex-deputado José Laviola. Já Dr. Maurício foi prefeito de Ouro Fino, no Sul de Minas, por duas vezes e era filiado ao MDB.

A assessoria de Zé Laviola negou que exista qualquer problema entre ele e o Partido Novo. “A relação entre o deputado e o partido se mantém tranquila e satisfatória para ambos os lados. Todas as necessidades do deputado para seu mandato foram pré-acordadas com o corpo do partido e, por isso, seu foco continuará sendo promover o desenvolvimento regional e se firmar como uma sólida base aliada ao Governo de Minas”, diz nota enviada ao Aparte.

Dr. Maurício adotou tom semelhante. “Não procede a insatisfação ou ‘rota de colisão’ do deputado estadual Dr. Maurício com o NOVO. Ao contrário, o deputado está totalmente alinhado com os ideais, as regras e os dirigentes do partido e não há nenhuma intenção de sair da legenda. Devido residir em Ouro Fino, quase 450 quilômetros de distância de Belo Horizonte, todas as flexibilizações foram acordadas previamente com a direção do NOVO, sempre pautada na austeridade e economia de gastos públicos”, informou a assessoria de imprensa do parlamentar.


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