A greve do metrô em Belo Horizonte que paralisa totalmente o serviço desde quarta-feira (15) vai permanecer nos próximos dias, inclusive no Carnaval. A decisão pela continuidade ocorreu após assembleia da categoria na estação Central, na manhã desta quinta-feira (16). Uma nova audiência foi marcada para o sábado (18) às 10h.

Em nota, o sindicato diz que a atual paralisação ocorre “diante da iminente entrega da CBTU-MG para a empresa Comporte e demissão de mais de 1.600 funcionários” e que mesmo após agendas em Brasília “com representantes políticos pertencentes ao atual governo”, não obteve resultados concretos para a manutenção do emprego dos funcionários concursados.

“A categoria quer compromissos firmados por documentos. Um ano de estabilidade, como proposto, não é suficiente para os trabalhadores. Eles se prepararam muito para trabalhar no metrô e a expectativa é que pudessem se especializar cada vez mais e permanecessem até a aposentadoria. No entanto, parece que a entrega da empresa é praticamente fato consumado e estes trabalhadores serão demitidos”, diz o comunicado.

Apesar de o leilão do metrô de Belo Horizonte ter ocorrido no final de dezembro, as partes têm até o dia 10 de março deste ano para a assinatura final do contrato.

A deliberação da categoria nesta quinta-feira ocorre após o Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT-3) decidir, nessa quarta-feira, pelo funcionamento em escala mínima, que deveria ser de 70% das viagens do metrô durante a greve dos metroviários.

O desembargador responsável pela decisão, César Pereira da Silva, definiu o funcionamento diário “de 70% dos trens, observada a totalidade da escala prevista em relação às linhas e aos horários habituais praticados”. Em caso de descumprimento, foi estabelecida uma multa diária de R$ 100 mil e, nos dias de Carnaval a penalidade sobe para R$ 150 mil.

O desembargador também determinou o funcionamento de 100% do serviço de segurança metroviária, em período integral. Durante audiência, o Ministério Público do Trabalho (MPT) sugeriu a criação de um grupo especial, em Brasília, para intermediar o diálogo entre órgãos e entidades sobre a situação dos trabalhadores, já que a categoria se posiciona contrária à privatização e também devido à insegurança dos postos de trabalho.


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