Parado desde o dia 14 de fevereiro devido a uma greve, o metrô de Belo Horizonte pode voltar a circular em breve, caso o governo federal atenda uma demanda dos metroviários que pedem o fim de um trecho da resolução 206/2021, que trata sobre o processo de privatização do metrô.
Na prática, os trabalhadores pedem que o governo autorize a transferência dos servidores da Companhia Brasileira de Trens Urbana (CBTU) para outros órgãos federais.
Em entrevista coletiva realizada na manhã desta sexta-feira (3 de março), a presidente do Sindicato dos metroferroviários de Minas Gerais (Sindimetro), Alda Santos explicou que, diante eminente processo de privatização do metrô de Belo Horizonte, que deve ser concluído ainda em março deste ano, cerca de 1600 funcionários públicos devem ficar desempregados. A possibilidade de transferência para outros órgãos, que é algo previsto em lei, foi proibida em 2021, quando o governo editou a resolução a respeito das regras para privatização.
Segundo a presidente, o governo federal eleito tem o poder de revogar esse trecho da resolução e garantir a manutenção dos empregos. “Muitos empregados pediram essa transferência e tiveram o direito negado graças a essa resolução 206/2021 editada pelo então ministro da economia, Paulo Guedes. Ela é um dos impeditivos para que a greve não termine. O que nós pedimos ao governo federal é essa revogação, a transferência dos funcionários e um programa de demissão voluntária (PDV) com estabilidade maior para os funcionários. Se o governo nos responder e marcar uma reunião pra gente começar a conversar, com certeza hoje a greve poderia acabar”, diz a presidente.
Alda ainda se desculpou com os usuários do metrô que estão sendo prejudicados pela greve, mas explicou que esse é o último recurso da categoria que luta pelos empregos.
“Desde 2019 que a gente tá nessa luta e a gente pede para o governo federal para conversar. Tivemos N reuniões com o governo federal, mas nenhuma proposta foi oficializada. Então, os metroviários seguiram nesse processo de privatização sem saber o que ia acontecer. A gente sabe o quanto essa greve tá causando de transtorno, mas a gente pede compreensão e paciência para a população”, alega.
Às 17h os metroviários se reúnem em mais uma assembleia para definir os rumos da greve. Caso haja essa sinalização por parte do governo federal, é possível que o metrô possa voltar a circular, caso contrário, a greve segue mantida.

