A Petrobras confirmou nesta segunda-feira (17/4) que estuda voltar a investir em petroquímica e ampliar os investimentos em suas refinarias, com foco no biorrefino.

A companhia informou que avalia mudar o escopo do Polo Gaslub (ex-Comperj) — hoje voltado para processamento de gás e produção de lubrificantes — para produzir produtos petroquímicos de segunda geração.

O Comperj, vale lembrar, foi inicialmente concebido como um complexo petroquímico, mas o empreendimento se tornou, posteriormente, num projeto de refino – também inacabado.

O Polo Gaslub poderá também receber investimentos numa nova planta dedicada para produção de diesel renovável R100 — com matéria-prima 100% sustentável.

A empresa também estuda uma planta de Diesel R100 na Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco.

E mira adequações na Rnest e na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais, para produção de diesel R5 a R10 – produzido por coprocessamento de diesel mineral com óleo vegetal.

Tanto a Rnest quanto a Regap fazem parte do programa de desinvestimentos da Petrobras – parte do termo de compromisso assumido em 2019 com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para abertura do mercado de refino.

A nova administração da petroleira, contudo, tem dado sinalizações de que pretende rever o acordo com o Cade.

Em março, o presidente da companhia, Jean Paul Prates, disse que a Petrobras não vai mais, “necessariamente, sair vendendo ativos por decisões governamentais” — em referência, em especial, ao plano de venda das refinarias.

Os estudos da Petrobras, para ampliação dos investimentos em refino e petroquímica, vêm em linha também com as declarações de Prates de que a empresa terá planos para converter suas refinarias em “bio-petro-gás refinarias”. E com as promessas do governo Lula de ampliar a capacidade de refino do país.

O atual plano estratégico 2023-27 da Petrobras, concebido na gestão anterior, já contempla investimentos de US$ 600 milhões no Programa BioRefino, voltado para o desenvolvimento de combustíveis mais modernos e sustentáveis nas refinarias Presidente Bernardes (RPBC), Presidente Getúlio Vargas (Repar), Duque de Caxias (Reduc) e Paulínia (Replan).

O planejamento estratégico, contudo, será revisto pelo novo comando da empresa.

Atualmente, a Petrobras está construindo no antigo Comperj o Polo GasLub – que receberá o Projeto Integrado Rota 3. O empreendimento envolve um gasoduto e infraestrutura de processamento com capacidade para 21 milhões de m³/dia de gás natural do pré-sal da Bacia de Santos.

A Petrobras também avalia a construção de uma termelétrica na região e tem planos de integrar os ativos do Polo GasLub à refinaria Reduc, em Duque de Caxias (RJ), para a produção de óleos lubrificantes básicos e combustíveis.


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