Presidente Lula classificou as exigências ambientais europeias à assinatura do acordo com Mercosul de “agressão“. A Sputnik Brasil conversou com especialista para saber quais exigências são essas e se o acordo com os europeus é, de fato, neocolonial.

Nesta sexta-feira (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que a União Europeia (UE) ameaça o Brasil com suas exigências para a ratificação do acordo comercial com o Mercosul.

As declarações foram realizadas ao lado do presidente francês, Emmanuel Macron, durante a Cúpula sobre Novo Pacto de Financiamento Global em Paris.

Eu estou doido para fazer um acordo com a União Europeia. Mas não é possível, a carta adicional que foi feita pela União Europeia não permite que se faça um acordo. Nós vamos fazer a resposta, e vamos mandar a resposta, mas é preciso que a gente comece a discutir. Não é possível que nós temos uma parceira estratégica, e haja uma carta adicional que faça ameaça a um parceiro estratégico”, afirmou o presidente.

Durante sua fala, o presidente faz referência ao documento apresentado pela UE aos países do Mercosul no início do ano, no qual o bloco europeu faz exigências ambientais que extrapolam os acordos internacionais em vigor.

Para o professor de relações internacionais da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), Vinícius Rodrigues Vieira, a indignação de Lula com o conteúdo da carta europeia é justificada.

“O Lula avaliou a carta da UE de maneira dura porque nela estão contidos mecanismos protecionistas travestidos de preocupação ambiental”, disse Vieira à Sputnik Brasil.

“O presidente tem uma alguma razão ao dizer que o acordo é neocolonial, já que não coloca os dois lados em nível parelho.”

Segundo ele, o governo Lula estaria aberto a negociar condicionalidades ambientais para selar o acordo com os europeus, “mas os termos de agora são tão duros que permitem a aplicação de sanções econômicas contra o Brasil […] no futuro”.

Lula já deixou muito clara a sua posição em relação às sanções: o Brasil não aceita sanções que não sejam multilaterais, então colocar-se à mercê da UE, que, por razões protecionistas atendem aos interesses de lobbies internos [….] seria ir contra os princípios da política externa brasileira e contra os nossos interesses”, considerou Vieira.

A carta europeia foi reforçada por decisão do Parlamento francês, que aprovou resolução contra a ratificação do acordo com o Mercosul, no dia 13 de junho. Ainda que não tenha poder de lei, a resolução dificulta o objetivo de Lula de encerrar as negociações do acordo ainda este ano.

Para o professor da FAAP, “faz parte do processo negociador puxar as posições para níveis extremos, a fim de conduzir uma barganha”.

Mas vejo a França e o Macron em um beco sem saída. Macron já queimou muito capital político aprovando a reforma da Previdência goela abaixo dos franceses “, considerou Vieira. “Agora ele tem pouca margem de manobra para atuar em outros temas polêmicos, como a liberalização do mercado agrícola [para o Mercosul].”

As limitações de Macron impedem que objetivos ambiciosos possam ser atingidos durante a visita da Lula à França. Por outro lado, a “diplomacia francesa tem interesse em manter o Brasil em sua órbita” e, por isso, faz exercícios de boa vontade durante a recepção do presidente brasileiro em Paris.

A viagem se insere no contexto de reinserir o Brasil na agenda internacional, em particular nos debates ambientais, e de atender o interesse pessoal de Lula de ampliar a sua projeção”, concluiu Vieira.

O empenho de Lula na agenda externa foi demonstrado pela decisão do presidente de estender sua estadia na França para incluir novos encontros bilaterais em sua agenda. Nesta sexta-feira (23), o presidente se reunirá com o presidente da República do Congo, Denis Sassou-Nguesso,


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