Por Hermano Chiodi
O deputado estadual Cristiano Silveira, presidente do PT em Minas Gerais, defende que a negociação de Cemig, Copasa, Codemig e outras estatais mineiras com o governo federal pode ser uma alternativa à privatização dessas empresas para pagar dívidas do Estado com a União.
“Se o Estado deve à União ele pode fazer uma negociação de seus bens, seus ativos, que são as empresas públicas, e saber se a União tem interesse. Só ali você resolvia metade das dívidas de Minas e a gente não teria que perder as empresas públicas para a iniciativa privada”, avalia.
O parlamentar foi o entrevistado desta sexta-feira (28) no quadro Café com Política na Rádio FM O TEMPO 91,7, encerrando a temporada especial de entrevistas ao vivo no Mercado Central de Belo Horizonte. Cristiano Silveira questiona a obsessão do governador Romeu Zema (Novo) em privatizar empresas e diz que o governo estadual chega atrasado neste debate e diz que, atualmente, o mundo inteiro já está revendo esse movimento.
“O mundo inteiro está revendo esta questão das privatizações. Isso aconteceu no passado, quando havia ideia de que o público não dá conta de fazer a gestão das empresas então vamos privatizar. Logo entenderam que as privatizações alienou bens, patrimônio, o serviço público precarizou e aumentou custo para a população. A Europa já começou a reestatizar serviço essenciais, inclusive transporte”, diz.
Privatizações em Minas
A privatização das empresas estatais mineiras ganhou força com a necessidade de adesão ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF) para renegociar dívidas de Minas com a União. A nova proposta apresentada pelo governo Lula com exigências para que os Estados façam adesão ao programa retira a exigência de privatizações, porém, o governo Zema afirmou que vai manter essa prioridade.
Em entrevistas ao Café com Política da FM O Tempo nesta semana, a Cemig virou alvo do vice-governador Mateus Simões (Novo), que criticou a lentidão da empresa em atender demandas no Noroeste do Estado; a deputada estadual Lud Falcão (Podemos) e o prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão (Novo), vice presidente da Associação Mineira de Municípios, reforçaram as críticas do vice-governador.
Para Cristiano, as mudanças no RRF adequam o programa às bandeiras históricas de gestões petistas e enfraquecem o projeto do governo estadual para venda das empresas mineiras.
Segundo ele, o governo federal petista, que continua fazendo concessões, como nas estradas, já mudou algumas agendas de privatização em serviços essenciais a exemplo das refinarias de petróleo, que vinham sendo privatizadas na gestão de Jair Bolsonaro (PL) e que agora recebem investimentos federais.

