A convenção do PRTB realizada ontem (30) deixou a família Fidelix fora da direção nacional do partido. A votação, no entanto, é contestada tanto pelo irmão quanto pela viúva de Levy Fidelix, que se manteve por 27 anos à frente do partido.

O que aconteceu

Levy Fidelix morreu de covid em abril de 2021. Desde então, Júlio, o irmão, e Aldineia, a viúva, disputam o comando da sigla, entre acusações de fraude, má gestão e brigas judiciais.

Família fora do comando.

Por 25 a 1, a chapa “Renovação“, formada por Rachel de Carvalho e Murad Karabachian, venceu a disputa. Ex-presidente da sigla, Júlio Cezar Fidelix, da chapa “Família PRTB“, foi derrotado.

Aldineia Fidelix não disputou a eleição nem participou da votação. Antes da convenção, ela pediu ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) o cancelamento do evento. Mas o Judiciário está de recesso e só retoma as atividades no dia 1º de agosto.

PM reforçou segurança. A convenção começou às 10h de domingo, no plenário da Câmara dos Vereadores de Guarulhos, na Grande São Paulo. A definição do resultado ocorreu às 14h. Policiais militares acompanharam o evento.

O que diz a família Fidelix

Advogada de Júlio Fidelix diz que a votação foi ilegal. Segundo Caroline Gonçalves Guerini, dos 26 votantes, quatro não são filiados ao partido. Não houve, portanto, o quórum mínimo de 24 votantes exigido pelo estatuto do PRTB. Ela aguarda decisão do TSE para anular o resultado.

Karina Fidelix, filha e advogada de Aldineia Fidelix, também aponta ilegalidade. Karina alega falta de quórum na convenção e diz que houve grande abstenção por não ter ocorrido de forma híbrida. Além disso, afirma que Murad Karabachian não comprovou sua filiação partidária.

Procurados, representantes da chapa vencedora não quiseram se manifestar. Rachel disse que gostaria de falar apenas após a homologação do TSE.

Entenda a disputa familiar

Quando o marido morreu, Aldineia o sucedeu. A defesa da viúva alega que ela era a primeira vice-presidente e recebeu a chancela da Executiva Nacional para ocupar o cargo. Mas reconhece que o estatuto do partido não tratava, em 2021, da sucessão no comando em caso de morte do presidente.

O irmão de Levy entrou na disputa pelo comando do partido após uma convenção realizada em dezembro de 2021. Na época, ele e um grupo de pessoas, que se intitularam fundadores da sigla, solicitaram a assembleia alegando que Aldineia estava “usurpando” a função de presidente do PRTB após o falecimento de Levy. Também apontaram má gestão, que inclui desaprovação das prestações de contas eleitorais.

Por decisão de Alexandre de Moraes, Júlio Fidelix assumiu a presidência do PRTB em agosto de 2022, após a queda de braço sobre o comando do partido ser levada ao TSE.

Aldineia foi à Justiça comum por supostas assinaturas falsas. A briga familiar pela direção do partido ganhou um novo capítulo quando a defesa da viúva de Levy acionou o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) e pediu a perícia das assinaturas que constam na ata da convenção realizada em 2021.

Laudo pericial apontou fraudes em algumas rubricas. E o TJ-SP determinou a suspensão da assembleia que elegeu Júlio Fidelix.

Julio foi afastado da presidência do PRTB em junho, por determinação de Moraes. Mudad Karabachian, que era segundo vice-presidente, assumiu a presidência interina e convocou a assembleia deste domingo.

Aldineia não se inscreveu porque, segundo sua advogada, considerou a convenção é “irregular“, já que o laudo pericial da convenção de 2021 encontrou fraudes nas assinaturas.

“Espera-se que agora, findo o recesso, possa ser analisada para que o Diretório do PRTB eleito em 2020 possa ser reconduzido ao seu mandato, como medida de justiça”, disse Karina Fidelix, sua filha e advogada, em nota divulgada na noite deste domingo.


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