Em depoimento na CPI do 8 de Janeiro, Augusto Heleno negou saber de qualquer reunião de Jair Bolsonaro com os comandantes de Exército, Marinha e Aeronáutica “para assuntos eleitorais ou político-partidários”.

Ele também tentou desacreditar a delação de Mauro Cid, que afirmou à PF que Bolsonaro discutiu detalhes de uma minuta golpista com a cúpula das Forças Armadas.

“Não [sei de reunião] e eu quero esclarecer que o tenente-coronel Mauro Cid não participava de reuniões, ele era ajudante de ordens do presidente“, afirmou Augusto Heleno na CPI.

Mas uma foto de 2019, que está no Flickr do Palácio do Planalto, apresentada pelo deputado Rogério Correia (PT:MG) mostra o general Heleno, o tenente-coronel Mauro Cid e Jair Bolsonaro ao lado de chefes das Forças Armadas.

A imagem contradiz a versão de que Augusto Heleno e Mauro Cid não participavam de reuniões com militares.

Após Correia exibir a foto, o general Augusto Heleno afirmou que a “imagem fala por mil palavras”.

“Lógico que ele [Mauro Cid] tá escutando, mas ele não participa, não tem atuação nenhuma”, argumentou Augusto Heleno na CPI.

A foto também contradiz o ex-presidente Jair Bolsonaro, que diz que Cid nunca participou de nenhuma reunião com autoridades ou comandantes das Forças Armadas. “Ele agendava os horários de encontros com chefes de Estado, com ministros, com autoridades, com comandantes da força”.

“Ele [Cid] nunca estava [presente nas conversas]. Quando você conversa com os [generais] quatro estrelas, não fica nenhum tenente-coronel do lado. Até mesmo por uma questão de hierarquia”, disse Bolsonaro em entrevista à Folha em 12 de setembro.

Nas redes sociais, a relatora da CPI, senadora Eliziane Gama (PSD-MA), também ressaltou a contradição entre imagem e depoimento de Augusto Heleno.

O presidente da CPI, Arthur Maia (União Brasil-BA), não concordou com a interpretação de Eliziane e de Rogério Correia (PT). “Veja bem, nós temos aqui uma circunstância que eu compreendi que o general disse que participava da reunião quem sentava na mesa e tomava decisões”.

“Se perguntarmos se o diretor dessa CPMI está participando dessa reunião, claro que ele está. Mas ele pode ter a palavra como vossa excelência acabou de fazer? Ele não pode. Da mesma forma foi a compreensão que eu tive daquela reunião e da fala do general Heleno. Claro que o assessor pode entrar na sala, mas estava visível que o Mauro Cid não estava sentando nas mesmas condições que os ministros, então por isso que a mesa não entende que seja uma inverdade“, disse Arthur Maia.

Os parlamentares pediam uma punição a Augusto Heleno por mentir na CPI. Fazer uma “afirmação falsa” como testemunha na CPI é considerado crime.


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