Representantes das vítimas do rompimento da barragem de Fundão cobraram mais participação nas negociações da Repactuação durante reunião com a Presidente do Tribunal Regional Federal da 6ª Região, Desembargadora Mônica Sifuentes, na tarde desta terça-feira (26). O encontro fez parte do lançamento oficial da campanha “Revida Mariana” em Minas Gerais.
Joceli Andrioli, da coordenação do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e membro da delegação do Movimento Atingidos da Articulação da Bacia do Rio Doce e Litoral Capixaba, avaliou o encontro como muito positivo.
Três pontos principais foram colocados em pauta: o direito à participação dos atingidos nas negociações, que ocorrem em gabinetes fechados; o direito a indenizações individuais para todas as vítimas da Bacia do Rio Doce e Litoral Capixaba e; a revisão dos valores, que foram considerados insuficientes para garantir a reparação integral. “A presidenta do TRF disse que vai tomar providências internas para fazer nossos pedidos chegarem na coordenação da força-tarefa, que negocia a repactuação”, disse Andrioli.
Juntos, em defesa dos atingidos
Pela manhã, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, cerca de 1.500 atingidos participaram de audiência pública e receberam apoios de diversos parceiros na luta, entre eles, Central Única dos Trabalhadores (CUT/MG), lideranças sindicais, parlamentares, movimentos populares e estudantis. Momento de reafirmar o objetivo da campanha Revida Mariana e denunciar que quase 8 anos após o crime, Samarco/Vale/BHP Billiton seguem impunes.
Segundo Thiago Alves, da coordenação do MAB, há uma expectativa de que o avançar do processo na justiça britânica coloque a justiça brasileira para caminhar de maneira mais célere. Em Londres, a ação que cobra indenizações individuais em favor dos atingidos tem previsão de julgamento para outubro de 2024. A ação representa mais de 700 mil atingidos e as indenizações podem chegar a R$ 230 bilhões.
O rompimento da barragem do Córrego do Fundão, em Mariana-MG, despejou 56 milhões de metros cúbicos de rejeitos na calha do Rio Doce. De acordo com o Movimento, cerca de 1 milhão de pessoas foram atingidas em Minas Gerais e no Espírito Santo. Após quase uma década do crime, pouco ou quase nada foi feito pelos atingidos.

