Após a AngloGold Ashanti demitir cerca de 650 profissionais, os moradores de Santa Bárbara, na região Central de Minas Gerais, convivem com o medo de que a mineradora encerre as atividades definitivamente na cidade – que tem pouco mais de 30 mil habitantes. Antes da demissão em massa, a empresa mantinha mais de 1.000 funcionários nas operações no Córrego do Sítio.

A prefeitura está apreensiva que o encerramento das atividades da mineradora possa provocar um efeito cascata, resultando no fechamento de várias empresas terceirizadas. Além disso, se isso ocorrer, haverá um impacto direto nos cofres da cidade. Isso porque, atualmente, a mineradora gera uma receita de R$ 12 milhões para o caixa municipal, segundo dados da prefeitura.

Em entrevista à Itatiaia, o prefeito de Santa Bárbara, Alcemir Moreira (União Brasil), afirma que a mineradora ainda não informou se irá ou não fechar as portas na cidade.

“A empresa procurou o município, há três anos ela vem operando no vermelho e foi uma decisão dela parar para tomar algumas decisões. Ela não disse ao município que está fechando, mas mantém ainda cerca de 400 funcionários. A gente que está no município vem conversando com a empresa e os passos que serão dados no futuro, a gente espera ser comunicado”, aguarda.

A Anglo confirma que a unidade em Santa Barbará estava operando no vermelho, fruto do crescimento de custos e resultados operacionais negativos. A empresa diz que realizou estudos e buscou alternativas para manter as atividades, mas ressaltou que o cenário para a continuidade dos trabalhos se mostrou inviável.

Apesar de amargar números ruins, a empresa não fala taxativamente no encerramento definitivo das atividades. Em contato com a nossa reportagem, a empresa chamou o processo de “suspensão temporária”. Apesar disso, a Anglo não informou quando e nem mesmo se isso irá ocorrer. “O processo de suspensão é temporário e será reavaliado de modo sistemático ao longo dos próximos anos“, diz um trecho da nota enviada à nossa reportagem.

A empresa confirma que suspendeu totalmente a produção. A mineradora diz que mantém outras atividades como monitoramento de segurança, controle ambiental, manutenção e conservação do patrimônio da empresa. A produtora de ouro diz ainda que mantém o projeto de descaracterização da Barragem de Córrego do Sítio II, o que é uma obrigação legal.

Vale também demitiu na região

Funcionários denunciam que algo parecido aconteceu em um complexo da Vale, na Região Central do Estado. A empresa suspendeu as operações na Mina Água Limpa, que também tem trechos em Santa Barbará e na cidade vizinha de Rio Piracicaba.

Centenas de vagas de empregos foram fechadas na mina. A Vale disse que não houve um “desligamento em massa” nas cidades. No entanto, questionada pela Itatiaia, a empresa não quis informar o número de funcionários que deixaram de trabalhar na mina e nem quantos profissionais permaneceram.

A Vale diz que “mantém as atividades regulares na cidade mineira de Rio Piracicaba, conforme o seu plano de negócio e demandas de mercado, mantendo o diálogo aberto e transparente com o município, entidade sindical e os órgãos competentes”. A empresa diz que recebeu uma licença de expansão este ano e promete retomar as atividades no complexo.

Falta de aviso

A Associação dos Municípios Mineradores (Amig) afirma que, em ambos os casos os municípios foram avisados apenas poucas semanas antes das demissões ocorrerem. Com isso, as prefeituras não puderam se preparar com antecedência e criar políticas públicas para amenizar os efeitos da onda de demissão.


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