O Egito disse nesta segunda-feira que Israel não está cooperando com a entrega de ajuda a Gaza e com a retirada de portadores de passaportes estrangeiros pela única entrada que não controla totalmente, deixando centenas de toneladas de suprimentos parados.
O Cairo diz que a passagem de Rafah, uma abertura potencialmente vital para suprimentos extremamente necessários para o enclave palestino sitiado, não está oficialmente fechada, mas está inoperante devido aos ataques aéreos israelenses no lado de Gaza.
Com a intensificação dos bombardeios e do cerco de Israel a Gaza, os 2,3 milhões de habitantes do território ficaram sem eletricidade, o que levou os serviços de saúde e de abastecimento de água à beira do colapso, com o combustível para os geradores dos hospitais ficando escasso.
“Há uma necessidade urgente de aliviar o sofrimento dos civis palestinos em Gaza”, disse o ministro das Relações Exteriores do Egito, Sameh Shoukry, aos repórteres, acrescentando que as conversas com Israel não foram frutíferas.
“Até agora, o governo israelense não se posicionou sobre a abertura da passagem de Rafah do lado de Gaza para permitir a entrada de assistência e a saída de cidadãos de outros países.”
Autoridades norte-americanas esperavam que Rafah operasse durante algumas horas nesta segunda-feira, disse o porta-voz da Casa Branca, John Kirby, acrescentando que expectativas anteriores de abrir a passagem tinham sido frustradas.
A guerra em curso tornou a entrega de ajuda através de Rafah “muito difícil”, disse o porta-voz da ONU, Stephane Dujarric.
“Terá de haver um mecanismo, uma vez que envolve muitas partes, algumas das quais não se estão se falando, para dizer o mínimo. Estamos trabalhando nesse sentido com os principais parceiros”, disse Dujarric a jornalistas em Nova York, nesta segunda-feira.
A estação de rádio Aqsa, afiliada ao Hamas, afirmou que os bombardeios israelenses voltaram a atingir a zona de passagem de Rafah nesta segunda-feira. O lado egípcio da fronteira parecia deserto à tarde, com a ajuda sendo armazenada na cidade vizinha de Al Arish.
Centenas de milhares de palestinos foram deslocados dentro de Gaza, com alguns levando carros e malas para o sul, em direção à passagem de Rafah, mas outros regressando ao norte, depois de não terem conseguido encontrar refúgio.
Tal como outros países, o Egito se pronunciou contra qualquer êxodo em massa dos residentes de Gaza, refletindo os profundos receios árabes de que a guerra possa desencadear uma nova vaga de deslocamento permanente dos palestinos das terras onde procuraram construir um Estado.
O país apelou à realização de uma cúpula sobre a crise, que, segundo a agência egípcia Al Qahera News, deverá ocorrer no sábado, na cidade de Sharm el-Sheikh, no Mar Vermelho. Nesta segunda-feira, o presidente egípcio Abdel Fattah al-Sisi recebeu um telefonema do presidente russo, Vladimir Putin, para discutir a escalada em Gaza, disse o gabinete de Sisi.
Shoukry disse que o Egito pretende restabelecer o acesso regular através de Rafah, incluindo para os palestinos que procuram tratamento médico ou viagens normais.
Mais cedo, nesta segunda, fontes de segurança egípcias disseram que um cessar-fogo no sul de Gaza, com duração de várias horas, havia sido acordado para a manhã desta segunda para facilitar a ajuda e a retirada de pessoas em Rafah, mas a TV estatal egípcia citou posteriormente uma fonte de alto nível dizendo que nenhuma trégua havia sido acertada.
Hamas e Israel disseram que nenhum acordo para abrir a passagem foi fechado.
Centenas de toneladas de ajuda de ONGs e de vários países aguardavam em Al Arish por condições que permitissem a entrada em Gaza.
Estamos aguardando o sinal verde para a entrada da ajuda e dezenas de voluntários estão prontos a qualquer momento?, disse um funcionário do Crescente Vermelho no norte do Sinai.
“É fundamental que a assistência vital seja autorizada a cruzar a passagem de Rafah sem demora”, afirmou a agência humanitária da ONU num comunicado, anunciando que o seu chefe, Martin Griffiths, se deslocaria ao Cairo na terça-feira.

