Atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão participam nesta quarta-feira (1) da Assembleia Geral Anual (AGM) da BHP Billiton na Austrália, e denunciam a acionistas todo o descaso da mineradora após a tragédia em Mariana (MG). Representantes de comunidades tradicionais, residentes de Bento Rodrigues e um empresário entregaram kits com garrafas de água poluída a investidores, compartilharam mensagens e exibiram vídeos da destruição que a lama tóxica da BHP causou no Brasil.
Do lado de fora do Centro de Convenções de Adelaide, South Australia, foi montado um cenário com velas e cartazes para mostrar que a lama da BHP Billiton ainda é uma realidade assustadora, sem justiça e sem reparação. Acionistas da mineradora e quem passou pelo local receberam kits com flyers, fotos, informações e garrafas com água poluída – simbolizando a contaminação que o Rio Doce sofreu por conta da mineradora.
O protesto, que faz parte da Campanha “Revida Mariana” e está sob coordenação do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), foi iniciado às 10h da quarta-feira – horário local de Adelaide – e às 20h30 de terça-feira (31) pelo horário de Brasília. Na Austrália estão presentes 5 atingidos, sendo 2 Quilombolas, 2 moradores de Bento Rodrigues e 1 empresário de Governador Valadares (MG).
O rompimento da barragem de Fundão, em 5 de novembro de 2015, despejou cerca de 43 milhões de m³ de rejeitos de mineração na natureza. O rompimento da barragem – então operada pelas mineradoras BHP e Vale através da companhia Samarco – ceifou a vida de 20 pessoas imediatamente. Desde então, mais de um milhão de moradores e integrantes de povos nativos enfrentam 8 anos de doenças, escassez de água e perda de suas áreas tradicionais de pesca, caça e agricultura. A negligência da BHP devastou todo um ecossistema, contaminou a vida selvagem, as plantas, a água e o solo.
“As mineradoras prosperam, os nativos brasileiros sofrem. Oito anos se passaram e ainda não temos justiça. Acionistas: seu lucro não pode custar vidas de nativos no Brasil. BHP, onde está sua responsabilidade? Brasileiros nativos exigem respostas”, diz o texto de um dos panfletos entregues.
O grupo que protesta na Assembleia Geral Anual da BHP também reforçou sua confiança na ação judicial contra a BHP que corre na justiça inglesa. A ação é movida pelo escritório internacional Pogust Goodhead, que representa mais de 700 mil clientes – dentre atingidos, indígenas, quilombolas, municípios, empresas, igrejas e concessionárias de serviços públicos. A ação deve ser julgada pela Corte Britânica em outubro/24, numa ação estimada em R$ 230 bilhões.
Link vídeos da Campanha Revida Mariana

