O relatório da Polícia Federal que embasou a operação desta quinta-feira (8), investigando uma tentativa de golpe de Estado durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), traz à tona conversas do coronel Mauro Cid, então ajudante de ordens do ex-presidente.

Segundo a PF, essas conversas indicam sua atuação em várias frentes na empreitada golpista, incluindo a orientação de manifestações e a participação no monitoramento do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

A investigação aponta que Cid estava envolvido em cinco dos seis núcleos em que o grupo se dividiu para tentar o golpe.

A operação desta quinta-feira tem como alvos Bolsonaro, militares e ex-ministros de sua gestão. Foram expedidos 33 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão preventiva, além de medidas cautelares como proibição de contatos entre os investigados, retenção de passaportes e destituição de cargos públicos.

Bolsonaro já foi condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) à inelegibilidade até 2030, após entenderem que ele cometeu abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação ao disseminar informações falsas sobre o sistema eleitoral em uma reunião com embaixadores.

Orientação de manifestações

Um dos diálogos anexados pela PF é entre Cid e o major das Forças Especiais do Exército Rafael Martins, em novembro de 2022, após as eleições. Nas conversas, Cid orientou o militar sobre manifestações em Brasília.

Monitoramento de autoridades

Outro diálogo anexado pela PF é entre Mauro Cid e o ex-assessor especial de Bolsonaro Marcelo Câmara. Segundo a PF, Câmara tinha “significativa proximidade” com Bolsonaro e assumiu uma posição de relevo na dinâmica golpista, atuando como responsável pelo núcleo de inteligência paralela que coletava informações sensíveis e estratégicas para auxiliar o então presidente.

Uma das funções desse núcleo, de acordo com a investigação, era o monitoramento de autoridades como o ministro do STF Alexandre de Moraes. A PF afirma que os dois usavam o codinome “professora” para se referir ao ministro. As mensagens indicam que, entre 15 e 22 de dezembro de 2022, Cid questionou Câmara sobre o paradeiro de Moraes.


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