Durante uma busca e apreensão realizada pela Polícia Federal na sede do partido, em Brasília, um documento comprometedor foi descoberto. A informação inicial sobre o papel foi divulgada pelo blog da Natuza Nery.
Segundo fontes ligadas à investigação, trata-se de um discurso por escrito que defende a ruptura do Estado Democrático de Direito como algo perfeitamente justificável dentro dos limites da Constituição. Esta expressão, amplamente utilizada por Bolsonaro em seus atos e discursos públicos quando era presidente, parece ter servido como base para a elaboração do documento.
O parágrafo final do texto declara a imposição do estado de sítio como medida necessária para “restaurar o Estado Democrático de Direito no Brasil”, alegando estar agindo de acordo com as disposições expressas na Constituição Federal de 1988.
A revelação desse esquema golpista, envolvendo o ex-presidente, seus auxiliares e militares, expôs uma preocupante tentativa de golpe de Estado e uma disseminação organizada de informações falsas com o objetivo de desacreditar as eleições e as instituições democráticas do país.
Um dos exemplos mais chocantes foi a elaboração de uma minuta de decreto presidencial que abriria caminho para o golpe. Este documento propunha a prisão de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, além do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
De acordo com as investigações, a minuta foi entregue a Bolsonaro por Filipe Martins (preso na operação desta quinta-feira) e Amauri Feres (alvo de busca). Bolsonaro solicitou durante a reunião que os nomes de Pacheco e Gilmar fossem retirados do documento, mas não o de Moraes. O ex-presidente também insistiu para que fosse mantido o trecho que previa a realização de novas eleições.

