Por Gabriela Oliva

O embaixador do Estado da Palestina no Brasil, Ibrahim Alzebe, agradeceu e elogiou, nesta terça-feira (7), o apoio do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao povo palestino. O petista tem enfrentado críticas por suas declarações sobre o conflito entre Israel e Hamas. Além de classificar as ações do governo israelense na Faixa de Gaza como “genocídio“, o presidente comparou a situação ao Holocausto.

“Estendo homenagem à postura excepcionalmente corajosa do senhor presidente Luiz Inácio Lula, símbolo e líder do Sul Global, que apelou e continua a apelar pelo fim da guerra de genocídio e pelo estabelecimento da paz para que nossos povos possam viver em harmonia. E quando digo ‘nossos povos’, o povo de Israel também está incluído”, disse durante entrevista na sede da embaixada em Brasília.

Ibrahim também fez referência a uma declaração de Lula em 18 de fevereiro, na qual ele comparou as mortes de palestinos em Gaza ao Holocausto. “Muitos falaram de chacina, de castigo coletivo, tragédia, calamidade pública, genocídio, terra arrasada. Até a palavra holocausto. O importante é pôr fim ao uso da força para resolver conflitos, pois nenhuma parte ganha com nenhum conflito e nenhuma guerra”, afirmou o embaixador da Palestina.

Crítica ao governo de Netanyahu

Durante a coletiva, o embaixador criticou o governo de Netanyahu, apontando que eles “anunciaram explicitamente o seu objetivo de querer a Palestina sem palestinos vivos”.

“A base ideológica, o sionismo, que os move, levou toda a sua máquina de guerra a um processo de extermínio. Nenhuma vida está sendo salva. Homens, mulheres, crianças, hospitais, escolas, poços de água, fazendas, edifícios residenciais, ruas, infraestruturas vitais como redes de esgoto, eletricidade e água potável. Em suma, acabar com todos os meios de vida humana na superfície de Gaza: as imagens falam por si”.

Ainda segundo o diplomata, 75% da Faixa de Gaza fo idestruída. “Se a guerra parar hoje, e é isso que esperamos, precisaremos de dez anos para reconstruí-la, se os recursos estiverem disponíveis”.

Entenda a crise

A declaração de Lula comparando o que tem ocorrido na Faixa de Gaza com o Holocausto resultou até mesmo em um pedido de impeachment protocolado na Câmara dos Deputados contra ele. A fala também provocou uma série de críticas por parte do governo israelense, especialmente do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Netanyahu classificou as declarações como “vergonhosas e graves”, enquanto o ministro das Relações Exteriores de Israel, Israel Katz, declarou que Lula é “persona non grata” no país, exigindo uma retratação. Ambos convocaram o embaixador do Brasil em Israel, Frederico Meyer, para uma reunião no Museu do Holocausto.

Esta ação foi considerada uma afronta pelo governo brasileiro, que então convocou Meyer de volta ao país. Além disso, o governo brasileiro solicitou explicações ao embaixador de Israel no Brasil, Daniel Zonshine. Na sexta-feira (23), Lula reiterou a necessidade de uma solução política que reconheça dois Estados coexistindo em harmonia na região.

Ee também criticou a “falta de democracia” na atuação da Organização das Nações Unidas (ONU), especialmente em relação ao poder de veto dos Estados Unidos no Conselho de Segurança. Lula argumentou que a lógica da entidade ainda reflete o contexto geopolítico de 1945, logo após a Segunda Guerra Mundial.


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