O depoimento do tenente-coronel Mauro Cid à Polícia Federal trouxe à tona detalhes significativos sobre um suposto plano golpista envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro após sua derrota nas eleições.

Durante nove horas de interrogatório, Cid manteve sua postura de colaboração, reafirmando informações previamente fornecidas em seus depoimentos anteriores. Segundo fontes ligadas à investigação, ele acrescentou novos esclarecimentos, especialmente sobre o papel dos militares nesse contexto.

Essa colaboração é parte de um acordo de delação premiada assinado por Cid no ano passado com a PF, cujos benefícios serão determinados ao término das investigações, dependendo da eficácia das informações fornecidas.

O conteúdo específico do depoimento permanece sob sigilo, mas o teor geral indica que Cid reforçou a narrativa de um plano articulado por Bolsonaro para evitar a posse de Lula após a derrota eleitoral.

Um dos pontos destacados por Cid foi o episódio envolvendo uma minuta de decreto golpista apresentada por Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro, ao presidente em novembro de 2022. Segundo o relato, Bolsonaro solicitou alterações no texto e posteriormente submeteu a minuta aos comandantes das Forças Armadas em uma reunião no final daquele ano.

Contudo, os chefes militares, incluindo o então chefe do Exército e da Aeronáutica, manifestaram-se contra a iniciativa golpista, o que resultou no fracasso do plano.

Os depoimentos dos comandantes das Forças Armadas à PF corroboraram as informações fornecidas por Cid, confirmando as tratativas golpistas de Bolsonaro. Esses desdobramentos são parte de uma investigação em curso que visa esclarecer o papel do ex-presidente e de outros envolvidos em possíveis atividades golpistas. O caso continua a atrair atenção pública e política, com repercussões significativas no cenário nacional.


Avatar

administrator