O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) expressa preocupação com a recente contraproposta financeira apresentada pelas autoridades e instituições de justiça do país no processo de repactuação da Bacia do Rio Doce. No último dia 6 de junho de 2024, a União e um conjunto de instituições públicas propuseram às mineradoras responsáveis pelo desastre socioambiental um valor de R$ 109 bilhões, que o MAB considera insuficiente para garantir a devida reparação dos danos causados. Esse valor é consideravelmente menor do que o proposto anteriormente e não atende às necessidades de recuperação ambiental e social da região.
O MAB destaca a falta de transparência e de participação popular nas negociações, criticando que os atingidos de Minas Gerais e do Espírito Santo desconhecem os detalhes sobre a aplicação dos valores, a gestão dos recursos e os critérios de acesso aos programas de reparação. A organização reforça que a proposta deveria ser, no mínimo, equivalente ao acordo de R$ 500 bilhões em Brumadinho/MG, considerando a extensão da área e a população atingida. A exclusão das vítimas das decisões, enquanto as empresas responsáveis continuam a ditar os termos, é inaceitável e injusta.
Além disso, o MAB alerta que um acordo rebaixado no Brasil pode prejudicar as chances de uma indenização justa nos tribunais internacionais, onde mais de 770 mil pessoas aguardam justiça. O Movimento denuncia a postura do Governador Romeu Zema, acusando-o de pressionar por um acordo rápido que reduz valores e desrespeita os direitos dos atingidos, em benefício de seus próprios objetivos eleitorais. Essa atitude ignora a luta popular que vem sendo travada desde 2015, fortalecendo a posição das mineradoras.
O Movimento reafirma seu compromisso com um acordo justo e com a participação popular, visando à verdadeira reparação integral da Bacia do Rio Doce. É essencial garantir os direitos das regiões afetadas, desde a calha do rio até o litoral capixaba. A luta por justiça e participação continua, e o MAB permanecerá vigilante e atuante para assegurar que os direitos dos atingidos sejam respeitados e efetivados.

Fotos: Wan Campos

