A cúpula do Mercosul agendada para segunda-feira (8) em Assunção, Paraguai, marcará o início formal das negociações para um acordo de livre comércio entre o bloco sul-americano e os Emirados Árabes Unidos. Segundo Tatiana Prazeres, secretária de Comércio Exterior do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic), o termo de referência para este acordo foi finalizado durante a primeira rodada de negociações realizada entre os dias 2 e 4 deste mês na capital paraguaia.
“O documento define o escopo, o conteúdo, e delineia o que poderia ser este novo acordo comercial envolvendo o Mercosul”, explicou Prazeres. O termo de referência estabelecerá as condições para bens, serviços, barreiras técnicas e fitossanitárias que serão discutidas, representando um passo inicial crucial para as tratativas.
Na prática, este documento servirá como base para as negociações comerciais futuras, iniciando um diálogo técnico sobre os detalhes específicos do acordo durante a reunião em Assunção. Em preparação para essas negociações, em 2023, a Secretaria de Comércio Exterior realizou uma consulta pública para avaliar os interesses do setor privado junto aos Emirados Árabes, buscando entender quais produtos poderiam ter maior potencial de exportação e quais poderiam representar preocupações nas importações.
Os resultados dessa consulta pública irão orientar as prioridades e cautelas do Brasil durante as negociações. Os setores de carnes, açúcar, celulose e manufaturados foram identificados como áreas promissoras para expansão das exportações brasileiras, embora haja preocupações específicas em relação ao potencial petroquímico dos Emirados Árabes.
Em termos de desempenho comercial recente, as exportações do Brasil para os Emirados Árabes cresceram significativamente, com um aumento de 50% nos primeiros seis meses deste ano em comparação com o mesmo período do ano anterior. Em 2023, os Emirados Árabes foram o 28º destino dos produtos brasileiros, subindo para a 13ª posição em 2024.
Este crescimento foi impulsionado principalmente pelas exportações de açúcar (300%), carne bovina (249%) e aves (17%). No total, o comércio entre os dois países movimentou aproximadamente US$ 3,1 bilhões nos primeiros seis meses deste ano, aproximando-se do total registrado em todo o ano de 2023, que foi cerca de US$ 4,3 bilhões.
Quanto ao cronograma para a conclusão do acordo, Tatiana Prazeres destacou que não é possível estipular um prazo preciso. Ela comparou as negociações em andamento com outros acordos, como o recentemente fechado com Singapura, que começou em 2019 e foi finalizado em 2023. As tratativas com a União Europeia, por outro lado, iniciadas em 1999, não chegaram a um acordo no último ano e continuam pendentes.
Prazeres também mencionou que o Mdic continua empenhado em avançar nas negociações existentes, como as com a União Europeia e a Efta (associação que reúne Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça), enquanto busca abrir novas frentes, como o acordo com os Emirados Árabes. “Ampliar a rede de acordos do Mercosul é uma prioridade”, afirmou, destacando o interesse do governo brasileiro em diversificar e fortalecer suas relações comerciais internacionais.
Dessa forma, a formalização do início das negociações com os Emirados Árabes durante a cúpula do Mercosul representa um passo estratégico para expandir as oportunidades comerciais do Brasil no mercado global, alinhando-se com os esforços do governo para promover o crescimento econômico e a competitividade internacional.

