A Polícia Federal (PF) se prepara para as eleições com foco em três principais desafios: combater o financiamento de candidaturas por facções criminosas, enfrentar a desinformação alimentada por inteligência artificial, e lidar com a violência de gênero e intolerância religiosa. O delegado Fabricio Martins Rocha, chefe da Divisão de Repressão a Crimes Eleitorais, destaca que o patrocínio de candidatos por organizações criminosas compromete a equidade no processo eleitoral e é uma prática que tem se espalhado por todo o país, atingindo não só grandes centros, mas também áreas de fronteira.
Para lidar com essas questões, a PF trabalha em colaboração com a Justiça Eleitoral, com o objetivo de impedir que o crime organizado infiltre suas operações no cenário político, especialmente em nível municipal, onde a proximidade com a população e o menor número de votos necessários para a eleição facilitam essa cooptação. O delegado menciona que a integração entre as forças de segurança e a Justiça Eleitoral é crucial para identificar e combater essas práticas.
Outro ponto de atenção é o uso crescente de deepfakes e outras tecnologias de inteligência artificial para espalhar desinformação durante as campanhas eleitorais. A PF já atuou em casos onde áudios falsos atribuídos a políticos foram criados e disseminados. Apesar dos avanços tecnológicos, o delegado reconhece que identificar e comprovar a veracidade de conteúdo gerado por IA ainda é um desafio complexo que exige análises periciais detalhadas.
A violência de gênero e a intolerância religiosa também estão no radar da PF. Candidatas que se destacam por suas posições políticas têm sido alvo de ameaças, incluindo ameaças de violência sexual. A PF se empenha em garantir que esses ataques não impeçam a participação dessas mulheres no processo eleitoral.
O cenário que se desenha para as eleições exige da PF uma atuação multifacetada e integrada com outras instituições para assegurar que o processo eleitoral ocorra de maneira justa e transparente.

