Na manhã desta terça-feira, ex-funcionários da empresa X, anteriormente conhecida como Twitter, retornaram ao escritório da plataforma em São Paulo para recolher seus pertences após o encerramento das atividades da empresa no Brasil. O anúncio do fechamento foi feito no último sábado, mas as demissões estão ocorrendo de forma gradual.
Um dos ex-colaboradores, que preferiu não se identificar, descreveu o cenário na sede da empresa, localizada na movimentada Avenida Faria Lima, como um verdadeiro “cenário de terra arrasada”. Segundo ele, a comunicação sobre o fim das operações no país foi “seca e direta”, sendo feita inicialmente para um grupo de gestores em uma videoconferência no próprio sábado.
Os rumores de que algo assim poderia acontecer já circulavam há algum tempo, especialmente após os conflitos entre Elon Musk, proprietário da rede social, e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. A situação escalou quando uma ordem de Moraes determinou o bloqueio de contas no X, o que teria sido o catalisador para a decisão de Musk de encerrar a operação brasileira. A empresa argumentou que o fechamento visava proteger os funcionários locais, que, segundo eles, não tinham poder de decisão sobre o bloqueio de contas.
O escritório, localizado em um espaço de coworking na região empresarial de São Paulo, já estava vazio na segunda-feira, mas nesta terça-feira, ex-funcionários voltaram para retirar seus pertences. Houve relatos de gestores agindo de forma emocional, com um deles, por exemplo, levando toda a mobília de sua sala. A sensação de desolação e abandono era palpável entre os antigos colaboradores.
Para muitos na equipe brasileira, o encerramento das atividades no país já era esperado, dadas as tensões crescentes entre Musk e a Justiça brasileira. O fechamento marca o fim de uma operação que durou 12 anos, sendo o Brasil o primeiro país da América Latina a receber um escritório da então chamada Twitter, e o terceiro fora dos Estados Unidos.

