Em meio a queixas da população sobre o transporte público e a demora no atendimento de saúde, a eleição em Belo Horizonte coloca o atual prefeito, Fuad Noman (PSD), em uma posição desafiadora. Ele busca a reeleição após assumir o cargo em março de 2022, quando Alexandre Kalil renunciou para disputar o governo estadual. No entanto, ao contrário de seu antecessor, que deixou o cargo bem avaliado, Fuad enfrenta dificuldades para conquistar o apoio da população. Com baixa popularidade e um início de campanha distante do favoritismo, ele encara a pressão de seis adversários de grandes partidos.

Entre esses adversários, destaca-se Mauro Tramonte (Republicanos), deputado estadual e ex-apresentador da Record TV, que lidera as pesquisas com 27% das intenções de voto, segundo o Datafolha. Tramonte conta com o apoio de duas figuras de peso na política mineira: o governador Romeu Zema (Novo) e o ex-prefeito Alexandre Kalil. Essa aliança surpreendeu o cenário político, já que Zema e Kalil foram adversários ferrenhos na última eleição estadual.

A união entre Zema e Kalil gerou especulações sobre quem terá maior influência em uma eventual gestão de Tramonte. No entanto, o candidato tem se esforçado para afirmar sua independência, dizendo que, se eleito, ele próprio tomará as decisões na prefeitura.

Enquanto isso, Fuad Noman enfrenta dificuldades para se destacar entre os candidatos que estão tecnicamente empatados em segundo lugar. Carlos Viana (Podemos) aparece com 12% das intenções de voto, ligeiramente à frente de Fuad, que tem 10%, assim como Bruno Engler (PL) e Duda Salabert (PDT). Mais atrás, Rogério Correia (PT) tem 7%, e Gabriel Azevedo (MDB) aparece com 3%.

Os desafios para Fuad são agravados pelos problemas enfrentados pela cidade. De acordo com o Datafolha, saúde (23%) e transporte (17%) são as principais preocupações dos eleitores. A recente epidemia de dengue sobrecarregou o sistema de saúde, e a fila de espera para cirurgias eletivas, com cerca de 28 mil pessoas, contribui para o descontentamento.

As campanhas dos adversários têm se concentrado em propostas para resolver esses problemas. Tramonte e Engler, por exemplo, defendem a criação de um aplicativo que agilize o atendimento de saúde. Já Duda Salabert e Rogério Correia focam na valorização dos profissionais de saúde e em políticas que fortaleçam o transporte público.

No campo político, Fuad sofreu um distanciamento de Kalil, seu antigo aliado, após exonerar indicados do ex-prefeito e se aproximar de figuras do Atlético Mineiro, clube com o qual Kalil não tem boa relação. Apesar disso, Fuad insiste em se apresentar como um “bom gestor” e aposta no horário eleitoral para melhorar sua popularidade.

A situação de Fuad também é complicada pelo trânsito de Belo Horizonte, classificado como o segundo pior do país pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT). Propostas para melhorar o tráfego, como sinais inteligentes e o fortalecimento do transporte público, são temas recorrentes nas campanhas.

Em meio a esses desafios, o prefeito busca se diferenciar dos adversários destacando sua experiência em gestão pública e suas realizações na cidade, tentando convencer os eleitores de que ele é o mais preparado para continuar à frente da prefeitura de Belo Horizonte.

Com informações do O Globo


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