Um estudo apontou que a cada uma hora, pelo menos uma escola é alvo da violência em Minas Gerais. O levantamento, feito pelo Observatório de Segurança Pública, da Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais, mostrou que 5.621 ocorrências foram registradas nas instituições de ensino do Estado de janeiro a junho deste ano. A média é de 31 infrações por dia. São crimes como furto, roubo, arrombamento, ameaças, calúnia, difamação, estupro e outros. 

Para a presidente em exercício do Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro-MG), Thaís Cláudia D’Afonseca, os números revelam um problema que afeta toda a sociedade. “A questão da violência é ampla e muitas das vezes é resultado da desigualdade que presenciamos no Brasil”, disse. 

Thaís aponta a necessidade de encarar esse problema, uma vez que isso afeta o exercício da atividade dos professores e também o processo de educação dos alunos. “É preciso verificar o que ocasiona essa violência, até porque os professores têm direito a um ambiente saudável de trabalho”, conclui. 

Thais D’Afonseca alerta sobre a necessidade de ações voltadas não apenas para a violência física, mas também para a psíquica. “Até o fato de se expressar pode ser uma situação que coloca o professor em risco hoje em dia”, exemplifica a presidente em exercício do Sinpro-MG.  

Para ele, essa violência psíquica atinge também os alunos que, em várias ocasiões, são vítimas de preconceito. “A gente tem observado é que existe uma violência com professores e alunos em razão de diversos fatores, que vão desde a orientação sexual, a classe econômica, a cor”, explica. 

O levantamento feito pelo Observatório de Segurança Pública considera crimes ocorridos em instituições de ensino particulares e públicas, dos âmbitos municipal, estadual e federal, além de creches, referentes à educação básica e superior. Os crimes de furto são os que tiveram o maior registro, com 1686 casos. Ele é seguido pelos atos de ameaça, que totalizam 974 registros. 

Segundo o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisador do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública (CRISP) Frederico Couto Marinho, é necessária uma ação conjunta entre as instituições de segurança e de educação para identificar e combater as principais causas.  

“Não dá pra combater tudo de uma vez, é preciso priorizar e identificar aquilo que mais ocorre”, sugere. Para ele, essa estratégia é importante até mesmo para evitar problemas consequentes, como a evasão escolar. “Essa parceria, até mesmo com os órgãos de saúde é importante. Até para identificar se algum aluno ou funcionário possui um comportamento mais agressivo”, disse. 

A Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais informou que desenvolve ações junto as equipes de segurança pública para evitar infrações dentro das unidades escolares. Os trabalhos são feitos de modo que, diante de qualquer denúncia, as equipes compareçam às instituições de ensino da rede pública estadual para investigar os casos e orientar os envolvidos.   

Um destes projetos é o Patrulha Escolar. Com o objetivo de tornar o ambiente escolar mais seguro, a Polícia Militar de Minas Gerais realiza rondas preventivas no entorno das unidades de ensino, com protocolos já estabelecidos.  

“Ressaltamos que a SEE/MG desenvolve e estimula a realização de ações de combate à violência no ambiente escolar através do Programa de Convivência Democrática. As ações desse programa contemplam práticas de Justiça Restaurativa e Mediação de Conflitos, que têm como princípio a defesa e a garantia dos direitos humanos nas escolas, além de promover a cultura de paz”, disse em nota. A pasta também pontuou que planeja o investimento em serviços de vigilância eletrônica em 3.444 escolas em todo o Estado.