A saída de Carlos Lupi do Ministério da Previdência Social e sua substituição por Wolney Queiroz representa a 11ª troca ministerial promovida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde o início de seu terceiro mandato, em 2023. A demissão de Lupi ocorreu em meio ao desgaste provocado por uma crise no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), alvo de investigação da Polícia Federal que apura descontos indevidos em aposentadorias, com prejuízos estimados em R\$ 6 bilhões entre 2019 e 2024.

Wolney Queiroz, que ocupava o cargo de secretário-executivo da Previdência e é filiado ao PDT, foi escolhido para assumir o ministério. Apesar da troca, o partido de Lupi manteve influência sobre a pasta.

As mudanças nos ministérios durante o governo Lula têm ocorrido por diferentes razões. Algumas foram estratégias políticas para ampliar a base de apoio no Congresso e melhorar o cenário para as eleições de 2026. Outras, sobretudo as realizadas em 2025, refletiram rearranjos internos dentro de partidos já integrados ao governo.

No início deste ano, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) deixou a Secretaria de Comunicação Social, sendo substituído pelo marqueteiro Sidônio Palmeira, aliado próximo do PT e responsável pela campanha de Lula em 2022. Em março, Alexandre Padilha deixou a Secretaria de Relações Institucionais e foi substituído por Gleisi Hoffmann. Padilha, por sua vez, assumiu o Ministério da Saúde no lugar de Nísia Trindade.

Em abril, ocorreu outra mudança: Juscelino Filho (União Brasil-MA) deixou o Ministério das Comunicações e foi substituído por Frederico Siqueira, indicado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

As pressões por mais mudanças continuam. Lideranças de partidos do Centrão que apoiam o governo demonstram interesse em novas trocas, mas, até o momento, Lula ainda não convocou reuniões para discutir a redistribuição de cargos.

Desde 2023, o governo também promoveu substituições estratégicas para reforçar alianças políticas. A saída de Ana Moser do Ministério do Esporte, de Márcio França (PSB) do Ministério de Portos e Aeroportos e de Daniela Carneiro (União-RJ) do Ministério do Turismo abriu espaço para deputados ligados ao Centrão. André Fufuca (PP-MA), Silvio Costa Filho (Republicanos-PE) e Celso Sabino (União-PA) assumiram os postos. Márcio França permaneceu no governo, à frente da recém-criada pasta de Empreendedorismo e Microempresa.

Apesar de ocuparem ministérios, partidos como PP, Republicanos, União Brasil, MDB e PSD mantêm posições divididas entre a base governista e a oposição. Cada um desses três últimos partidos controla três ministérios desde o início do mandato de Lula, refletindo um equilíbrio instável na coalizão.

Outras mudanças ministeriais buscaram responder a crises. Foi o caso da substituição do general Gonçalves Dias, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), pelo general Amaro, e da nomeação de Macaé Evaristo para o Ministério dos Direitos Humanos após a saída de Silvio Almeida.

A mudança no Ministério da Justiça, com a saída de Flávio Dino — nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) — e sua substituição por Ricardo Lewandowski, ex-ministro do STF, também integrou esse movimento de ajustes no governo Lula.

 

 

Foto: Ricardo Stuckert/PR