Embora a franquia “Missão: Impossível” esteja ausente das telas este ano, isso não significa que “A Liga”, novo filme da Netflix, seja uma substituta à altura. Dirigido por Julian Farino, o filme tenta capturar a essência da série de Tom Cruise, misturando agentes secretos, cenários exóticos e acrobacias, mas acaba soando como uma imitação genérica e sem brilho. A premissa, que poderia muito bem ter sido criada por inteligência artificial, é simples: e se os protagonistas fossem ex-namorados de colégio?

O filme começa em Trieste, na Itália, com uma missão que lembra fortemente o primeiro episódio de “Missão: Impossível”. Um grupo de agentes tenta capturar um traidor com um HD roubado, mas a violência rapidamente toma conta da cena e quase toda a equipe é eliminada. A única sobrevivente, Roxanne (Halle Berry), busca a ajuda de seu chefe, Tom (J.K. Simmons), e sugere que eles recorram a seu ex-namorado de escola, Mike (Mark Wahlberg).

Mike, agora um trabalhador da construção civil em Nova Jersey, é descrito por Roxanne como “um zé-ninguém”, alguém ideal para uma missão tão secreta que ninguém deve saber de sua existência. O conceito é que a Liga, a equipe de espionagem de Roxanne, prefere recrutar homens comuns em vez de executivos ou agentes da CIA. Mike, ex-estrela do esporte e acostumado a trabalhar em alturas perigosas, parece ser o candidato perfeito após um rápido treinamento de três minutos e meio.

Os outros membros da Liga são definidos por suas especialidades: força física (Adewale Akinnuoye-Agbaje), psicologia (Alice Lee) e computação (Jackie Earle Haley). Apesar disso, as tentativas de humor e situações de peixe fora d’água, como Mike não saber que os britânicos dirigem do outro lado da estrada, não conseguem causar impacto.

Além de ser um filme de ação, “A Liga” tenta ser uma comédia de reencontro entre Roxanne e Mike, mas o roteiro de Joe Barton e David Guggenheim falha em trazer leveza ou originalidade ao relacionamento. As cenas de ação, como invadir uma casa cheia de mercenários para roubar um simples celular, carecem de criatividade, e a falta de atenção aos detalhes, como a presença de transeuntes durante um confronto em uma praça na Croácia, demonstra a falta de imaginação do filme.

Apesar de uma ou outra cena de ação competente, como Mike mostrando suas habilidades em uma viga de construção, e uma perseguição de carros colorida e bem coreografada, “A Liga” deixa muito a desejar em termos de envolvimento emocional. No final, é difícil se importar com o que está acontecendo na tela.


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