O colunista Lauro Jardim, do O Globo, informou no final da tarde desta quinta-feira (10), que duas advogadas investigadas por intimidação de vítimas da tragédia de Mariana estão à frente de uma nova associação criada para atuar nas negociações de indenização. Com a possibilidade de um acordo de reparação ainda em outubro, essas figuras polêmicas voltam a ganhar destaque.

As advogadas Bruna Ferraz Raggi e Richardeny Lemke, alvo de investigações pelo Ministério Público Federal (MPF), lideram a recém-criada Frente em Defesa dos Atingidos Pelo Rio Doce (Fredario). A associação foi fundada há um mês e afirma contar com 300 advogados que representam cerca de 300 mil vítimas da tragédia de Mariana, além de diversas entidades. No entanto, o registro do CNPJ da Fredario está vinculado a seis outras empresas localizadas em Vitória (ES), enquanto os telefones de contato pertencem a São Paulo.

Bruna e Richardeny são investigadas sob a acusação de terem recebido pagamentos milionários da Fundação Renova, criada pelas mineradoras responsáveis pelo desastre, em troca de pressionar vítimas a aceitarem indenizações com valores abaixo do esperado. O MPF as acusa de intimidar clientes para que desistissem de seus direitos e assinassem acordos desfavoráveis.

Essas advogadas também estiveram envolvidas na criação do Sistema Simplificado de Indenização, que gerou controvérsia e foi contestado judicialmente. O sistema, que já foi extinto por decisão do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), está atualmente fora das negociações em curso para a repactuação das indenizações.

A criação da Fredario levanta questionamentos sobre a atuação dessas advogadas em futuros processos de reparação relacionados à tragédia de Mariana, cuja solução definitiva ainda depende de novas negociações.

 


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