A agropecuária foi o principal destaque da economia brasileira em 2025, ao registrar crescimento de 11,7% em relação a 2024. O desempenho impulsionou o Produto Interno Bruto, que avançou 2,3% no ano passado, segundo dados divulgados nesta terça-feira, 3, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Apesar de representar apenas 7% do PIB, o setor respondeu por 32,8% da expansão total da economia em 2025. A coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, destacou que o crescimento expressivo fez da agropecuária o principal motor do resultado anual.
Com o avanço, a participação do agro na economia passou de 6,7% em 2024 para 7,1% em 2025. Ainda assim, o peso do setor já foi maior em anos recentes. Em 2021, atingiu 7,7%, enquanto em 2010 representava 4,8% do PIB.
Depois da agropecuária, a atividade que mais contribuiu para o crescimento foi a indústria extrativa, que registrou alta de 15,3%. Mesmo assim, a contribuição do agro foi mais que o dobro da segunda atividade de maior peso na expansão econômica.
O setor de serviços permaneceu como o de maior participação no PIB, com 69,5% em 2025, ante 68,9% no ano anterior. Já a indústria extrativa teve redução de participação, passando de 24,4% para 23,4%, reflexo da queda do preço internacional do petróleo.
Segundo Rebeca Palis, o desempenho da agropecuária foi impulsionado principalmente pela agricultura. O país registrou safra recorde de soja e milho, culturas que têm peso relevante no início do ano. Soja e milho representam cerca de 45% da lavoura nacional.
Em 2025, a produção de soja cresceu 14,6%, a de milho avançou 23,6% e a de laranja aumentou 28,4%. A pesquisadora também destacou ganhos de produtividade e crescimento em segmentos da pecuária, como bovinos e leite.
Projeções da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda indicam crescimento de 2,3% para 2026, ritmo semelhante ao de 2025. O órgão prevê desaceleração da agropecuária, compensada por maior dinamismo da indústria e dos serviços, diante de expectativa de menor produção de milho e arroz e redução no abate de bovinos.
Foto: CNA/Wenderson Araujo/Trilux

