O plano de contingência para mitigar os impactos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros será apresentado até terça-feira (12), afirmou o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. A proposta tem como foco os setores mais atingidos pelas tarifas e deve estabelecer critérios claros para mensurar o grau de exposição das empresas ao mercado norte-americano.

Esse plano foi entregue ao presidente Lula, que finalizou a leitura ontem à noite. Agora falta apenas a decisão final. Se não sair amanhã, será na segunda ou terça-feira”, declarou Alckmin durante entrevista concedida nesta quinta-feira (8) no estacionamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

O vice-presidente destacou que será adotado um critério que leve em conta a participação das exportações para os Estados Unidos dentro de cada setor, buscando calibrar o socorro com mais precisão. “Há setores cuja produção é majoritariamente voltada para o mercado interno, com apenas 5% a 10% exportado. Já outros têm metade ou mais direcionada ao mercado norte-americano. Esses são os que mais sofrem”, explicou.

Alckmin citou o setor de pescados como exemplo da necessidade de diferenciar o grau de vulnerabilidade dentro de uma mesma área produtiva. “Na tilápia, o consumo é quase todo interno. Já o atum é majoritariamente exportado. Precisamos olhar caso a caso”, comentou.

A declaração foi feita no mesmo dia em que Alckmin se reuniu, fora da agenda oficial, com o encarregado de negócios da embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar. “Foi uma conversa muito boa”, limitou-se a dizer o vice-presidente, sem fornecer detalhes.

Escobar também se encontrou com o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS), e, em seguida, visitou a Câmara dos Deputados. Antes disso, Alckmin havia recebido representantes da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), um dos segmentos mais prejudicados pelo aumento das tarifas.

Recebi agora o setor de calçados, a Abicalçados. É um setor afetado, que emprega muita gente. Mas mais impactado que o calçado em si é o couro, cuja produção tem mais de 40% voltada à exportação”, afirmou Alckmin. O plano de contingência deverá levar em consideração também esses insumos fundamentais para cadeias produtivas exportadoras.

Foto: Ricardo Stuckert / PR


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