O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, fez um discurso firme em defesa do Estado Democrático de Direito durante o ato do movimento “Direitos Já!”, realizado nesta segunda-feira (15), no histórico Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (TUCA). O evento reuniu lideranças políticas, artistas, intelectuais e representantes da sociedade civil para marcar o Dia Internacional da Democracia, tendo como tema central a proteção da soberania nacional.

Em sua fala, Alckmin condenou de forma enfática as tentativas de golpe e as ações que, segundo ele, continuam a prejudicar o Brasil no cenário internacional. “Imaginem, se perdendo a eleição, tentaram dar o golpe, imagine se tivessem ganho a eleição”, afirmou o vice-presidente, em referência aos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023.

Ele também criticou aqueles que, mesmo fora do governo, seguem atuando contra os interesses do país. “E o pior, mesmo fora do governo, continuam trabalhando contra o interesse do povo brasileiro lá fora, espalhando fake news para prejudicar o emprego e prejudicar as empresas do Brasil. Não pode haver delito maior para o político do que trabalhar contra a democracia brasileira”, declarou, em alusão indireta ao deputado federal Eduardo Bolsonaro, acusado de fazer lobby nos Estados Unidos em favor de uma anistia irrestrita aos condenados pela trama golpista.

O evento teve início com uma homenagem ao Supremo Tribunal Federal (STF), que foi calorosamente aplaudido pelo público. Em sua conclusão, Alckmin citou uma frase marcante do ex-deputado Ulysses Guimarães, autor da Constituição de 1988: “Traidor da Constituição é traidor da Pátria”.

A escolha do TUCA para sediar o encontro tem forte simbolismo histórico. Inaugurado em 1965, o teatro foi palco de manifestações estudantis e da resistência política durante a ditadura militar, tornando-se um marco na luta pela redemocratização do Brasil.

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, participou por vídeo, alertando para os riscos atuais à democracia. “Nunca imaginei que o Estado Democrático de Direito pudesse mais uma vez estar sob a linha de um grupo golpista“, disse, lembrando os desafios enfrentados desde os ataques de 8 de janeiro. Ela também destacou a necessidade de combater a radicalização e as fake news. “Somente com uma democracia viva e fortalecida o Brasil poderá avançar para um novo ciclo de prosperidade com desenvolvimento sustentável”, afirmou.

O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, defendeu a construção de um “grande pacto” interno para a proteção das instituições democráticas, aliado a uma “aliança internacional” contra forças antidemocráticas globais.

O encontro aconteceu em um contexto de forte tensão política, marcado pela recente condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por participação na trama golpista. Essa decisão gerou uma crise diplomática sem precedentes entre Brasil e Estados Unidos. Nos últimos dias, o governo norte-americano ameaçou aplicar novas sanções e dificultou a concessão de vistos para a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que viajará a Nova York para a Assembleia-Geral da ONU.

Em entrevista à rede Fox News, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, confirmou que os EUA anunciarão na próxima semana medidas punitivas em resposta ao julgamento de Bolsonaro, ampliando ainda mais a tensão na relação bilateral.

Foto: Cadu Gomes/VPR

 


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