O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pediu nesta terça-feira que os senadores “deixem as divergências eleitorais de lado”, em meio à pressão da oposição para que seja pautado o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na semana passada, Alcolumbre havia retomado os trabalhos do plenário após dois dias de obstrução promovida pela oposição, que protestava contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A oposição apresentou um aditamento ao pedido de impeachment de Moraes, alegando que decisões do ministro configurariam abusos. Entre elas, citam a imposição de tornozeleira eletrônica ao senador Marcos do Val (Podemos-ES) e o bloqueio de seus bens, considerados pela oposição como “censura prévia e restrições básicas, como acesso à verba parlamentar”. As medidas foram adotadas porque o parlamentar deixou o país sem autorização judicial. Apesar da pressão, Alcolumbre já afirmou a senadores que não pretende pautar o processo.

Durante sua fala, o presidente do Senado fez um apelo à pacificação. “Que este espaço seja um ambiente de diálogos e não de embates. Faço um chamamento à reflexão: muitas vezes o ódio e as agressões estão tomando o lugar do amor. Não estou me referindo à ideologia A ou B. Interessa termos um país dividido em constantes ofensas? As eleições se passaram e todos seguem em processo de rivalidade eleitoral. É bom que a gente possa divergir, mas seria melhor buscar a paz. Que possamos deixar os embates do processo eleitoral de lado, ao menos neste ano não eleitoral”, afirmou.

As declarações provocaram reações no plenário. O senador Cristiano Girão (Novo-CE) cobrou que o impeachment seja pautado. “Temos um colega com tornozeleira eletrônica, sem exercer seu mandato. A solução está no senhor”, disse. Já Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defendeu a anistia dos condenados pelos atos de oito de janeiro. “Não existe caminho para uma paz que não seja a anistia”, declarou.

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

 


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