Por Marco Aurelio Carone

Nesta eleição, o candidato Kalil terá a difícil tarefa de administrar conflitos vindos da influência de seus opositores sobre seus aliados. Filiado ao PSD, vem encontrando um ambiente hostil a sua aliança com Lula pela bancada federal do seu partido, capitaneada pelo deputado Diego Andrade, sobrinho e representante dos interesses de Clésio Andrade, afastado da política em função de processos judiciais.

Ex-vice Governador de Minas Gerais, ex-senador e presidente da CNT Confederação Nacional de Transporte por 26 anos (1993-2019), Clésio comanda uma ala do transporte de passageiros de Belo Horizonte e intermunicipal de Minas Gerais.

Setor empresarial, tido como muito unido e sempre presente como financiador eleitoral e provedor de mesadas para parlamentares das diversas casas legislativas, diante da pandemia de Covid, viu o seu poder financeiro minguar.

Quando a união deixou de existir, a principal luta travou-se em Belo Horizonte, Clésio de um lado e o ex-governador de Minas Gerais do outro comandaram dos bastidores, a batalha que ocorreu na Câmara Municipal de Belo Horizonte, através do vereador Gabriel Azevedo (sem partido),ex participante da Turma do chapéu, braço auxiliar do grupo tucano que esteve à frente do governo de minas por 12 anos, Alberto Lage, ex-tucano e estrela de vídeos duvidosos da Turma do Chapéu e a presidente da casa Nely Aquino (Podemos).

Por traz de tudo o deputado Marcelo Aro, atualmente no PP, ainda na puberdade política, desta forma divertindo-se com qualquer brinquedo que lhe dão, mais com inquestionável formação golpista, controlando sete vereadores na Câmara Municipal de Belo Horizonte, somados com outros seis de oposição, três do partido Novo e outros três bolsonaristas, tornou-se instrumento da raposa da política mineira.

Casado com mulher rica, fez sua carreira com recursos do sogro e por vaidade, membro da família Guilherme que, desde a chegada do Coronel José Guilherme Ferreira ao poder durante o Golpe Militar de 1964, praticamente manteve o controle da FMF, Federação Mineira de Futebol, muitas vezes, com o uso da força.

Seu filho, Elmer Guilherme Ferreira, o sucedeu no controle da Federação até 2004, quando acabou afastado do cargo pela Justiça. Atualmente, Adriano Aro, filho do deputado estadual Zé Guilherme, irmão do deputado federal Marcelo Aro e sobrinho de Elmer preside a entidade, após quase 15 anos fora do poder. As inúmeras denúncias de corrupção não foram suficientes para abalar o controle da família sobre a entidade. A CPI do Futebol de 2001 (páginas 67 e 77 a 78) relata a atuação da família.

Marcelo fez carreira no PHS, Partido Humanista da Solidariedade, de vereador a deputado federal, Aro tinha no ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, uma espécie de irmão mais velho, inclusive concedeu ao mesmo o Titulo de Cidadão Honorário de Belo Horizonte. O jornal “O Estado de Minas” aponta influência de Cunha na indicação do mineiro para o corpo diretivo da CBF.

Até que, em janeiro de 2018, segundo o presidente da legenda, Eduardo Machado, ele promoveu um “golpe”, assim narrado; “Marcelo Aro e demais integrantes, promoveu uma eleição da legenda e alteração da direção nacional dentro do meu mandato”.

Prática referendada a seguir em fevereiro, pelo então presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes, que determinou sua posse na presidência do partido, aprovando a decisão “interna corporis”.

Em setembro daquele ano, o comando nacional do partido solicitou na 2ª Vara Civil da Comarca de Nazário o afastamento de Marcelo Aro da presidência e o bloqueio de R$ 25.744.589,77 de suas contas, informando que o mesmo nunca foi eleito presidente do PHS e que; “utilizou de recursos pecuniários e materiais do partido para enriquecimento ilícito, e ainda, sobre por candidatos do partido e outros nas Eleições de 2018”.Conforme consta no pedido do PHS, houve “transferências injustificáveis” de recursos dos fundos partidário e eleitoral. Através de média liminar, Marcelo Aro reassumiu a presidência do PHS.

Depois de uma longa disputa judicial, Eduardo Machado foi confirmado como presidente do PHS nacional, após reunião da cúpula do partido, em 23 de outubro, em Brasília.

Em 19 de setembro de 2019, o Plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou o pedido de incorporação do Partido Humanista da Solidariedade (PHS) ao Podemos, época que o deputado mudou para o PP, recebendo em torno de 6,9 milhões de reais via orçamento secreto, medida utilizada no Governo Bolsonaro para garantir apoio parlamentar e votou a favor do aumento do valor fundo eleitoral para R$ 4,9 bilhões.

Kalil em seu primeiro mandato (2016 a 2020), foi candidato pelo PHS. No segundo mandato pelo PSD.

Nota da redação: Devido ao tamanho da matéria sobre o candidato Kalil, a mesma foi dividida em três partes.


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