Aliados do senador Flávio Bolsonaro intensificaram cobranças sobre a formação de palanques estaduais e o cumprimento de acordos firmados anteriormente com o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro. O impasse envolve principalmente a definição de candidaturas ao Senado, considerada estratégica pela oposição para ampliar presença no Congresso Nacional.

As dificuldades nas articulações se acentuaram após o afastamento de Jair Bolsonaro das negociações diretas. O ex-presidente, que vinha participando das tratativas mesmo em período de restrições, passou a ter contato limitado após decisão do ministro Alexandre de Moraes, o que transferiu a condução política ao filho. Com isso, aumentou a pressão sobre Flávio, agora responsável por mediar interesses divergentes em diferentes estados.

O cenário mais visível de desgaste ocorre em São Paulo. Um acordo articulado por Bolsonaro previa apoio político ao grupo ligado ao bispo Samuel Ferreira, com a indicação de um nome da Assembleia de Deus Ministério Madureira ao Senado. Entre os cotados estavam os deputados Marco Feliciano e Cezinha de Madureira. No entanto, a vaga não se concretizou, gerando insatisfação.

A tensão ficou evidente quando Feliciano questionou publicamente Flávio Bolsonaro durante evento religioso, cobrando maior reciprocidade no relacionamento com lideranças evangélicas. O episódio evidenciou o desconforto entre aliados que esperavam maior espaço na composição eleitoral.

A indefinição em São Paulo envolve ainda disputas internas no Partido Liberal. O presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, defende o nome de André do Prado, enquanto outros grupos articulam alternativas. Além disso, a composição da chapa ao governo estadual, liderada por Tarcísio de Freitas, reduz o espaço disponível para aliados.

O problema não se limita a São Paulo. Em Roraima, o deputado Hélio Lopes transferiu domicílio eleitoral para disputar o Senado, mas enfrenta resistência do diretório local, que prioriza nomes como Nicoletti e o prefeito Arthur Henrique. A disputa interna evidencia a dificuldade de acomodar diferentes interesses dentro da legenda.

Em Mato Grosso do Sul, a situação também é marcada por divergências. O grupo do deputado Rodolfo Nogueira tenta viabilizar a candidatura de Gianni Nogueira ao Senado, mas enfrenta concorrência de nomes como Reinaldo Azambuja e outros parlamentares. A solução proposta por Flávio Bolsonaro envolve a realização de pesquisas para definir os candidatos mais competitivos.

No Ceará, o impasse ganha contornos familiares. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro apoia a vereadora Priscila Costa, enquanto aliados de Flávio defendem o deputado estadual Alcides Fernandes. A divergência reforça o cenário de fragmentação interna no grupo político.

Apesar das tensões, lideranças do partido avaliam que o processo ainda pode ser ajustado. O senador Rogério Marinho, coordenador da pré-campanha, afirmou que o trabalho de organização dos palanques está em andamento e exige tempo para acomodar as diferentes forças políticas.

Segundo ele, houve avanço em relação ao cenário de 2022, quando o grupo contava com número reduzido de alianças estaduais. A expectativa é ampliar significativamente a presença política nos estados, fortalecendo a base eleitoral para a próxima disputa presidencial.

Mesmo com esse diagnóstico, a pressão sobre Flávio Bolsonaro permanece elevada. Aliados cobram maior clareza nas decisões e cumprimento de compromissos firmados, enquanto o senador busca equilibrar interesses divergentes e consolidar uma estratégia nacional para a oposição.

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil


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