As conversas entre o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em busca de uma parceria na eleição deste ano desagradou parte do PSD em Minas. Segundo o deputado Diego Andrade (PSD), a aliança com o PT no palanque mineiro será rejeitada por grande parte da sigla e muitos integrantes do partido já avisaram que não participarão da campanha.
“Essa aliança (entre Lula e Kalil) não tem meu apoio e não tem apoio de boa parte do partido que eu ajudei a fundar. Digo que metade do partido não caminhará nessa direção. Não apoiarei nenhum dos dois”, afirmou o deputado federal.
Segundo Andrade, uma imposição da Executiva Nacional da aliança com os petistas pode gerar reação nas bases municipais, uma vez que algumas lideranças se posicionam contra a parceria. “Não é a cúpula partidária que decide eleição. Quem decide eleição é a base e o leitor. Tenho minha autonomia e não caminharei com eles, assim como a maior parte dos prefeitos, de cidades como Santa Luzia, Pará de Minas, Três Pontas, Boa Esperança, estamos em outro caminho”, disse o parlamentar.
Na segunda-feira (21) passada, Kalil e Lula se reuniram em São Paulo e avançaram em um acordo para que PT e PSD dividam o palanque em Minas, onde os dois disputarão votos com o governador Romeu Zema (Novo) e com o presidente Jair Bolsonaro (PL), respectivamente.
Em entrevista à rádio Super 91.7 FM na semana passada, o ex-presidente afirmou: “Kalil precisa de mim, e eu preciso do Kalil”. Na sexta-feira (25), Kalil deixou a prefeitura da capital mineira para disputar o governo de Minas.
Uma das supostas condições para confirmar uma aliança entre Lula e Kalil seria a indicação do deputado Reginaldo Lopes (PT) para a vaga do Senado na chapa. A condição, no entanto, causa atrito no PSD mineiro, que tem no presidente da sigla e atual senador Alexandre Silveira o pré-candidato para continuar ocupando a cadeira no Senado.
Caso a falta de espaço na chapa impeça a aliança, uma das possibilidades discutidas nas últimas semanas foi a migração do ex-prefeito de BH, saindo do PSD e se filiado ao PSB – essa mudança partidária, no entanto, perdeu força segundo assessores de Kalil.
“Estamos reforçando pelo Estado nosso apoio total para que Silveira seja o candidato ao Senado. Está trabalhando muito bem e entregando bons resultados para Minas Gerais. Não vamos abrir mão dessa vaga em hipótese nenhuma, para ninguém. Como é que vamos apoiar outro nome, se temos a maioria no PSD?”, pergunta Diego Andrade. “Kalil faz o que ele quiser, a vida é dele. Eu não comungo nem com Kalil nem com Lula”, afirmou.
Prefeito de Pará de Minas, Elias Diniz (PSD) avalia que será importante uma diretiva da Executiva Nacional do partido sobre como serão as coligações e alianças nesta eleição. Ele afirma que o partido tem diferentes correntes ideológicas, com prefeitos mais próximos ao presidente Jair Bolsonaro e outros mais próximos ao ex-presidente Lula. “Vamos aguardar, de fato, qual será a linha de pensamento do presidente nacional, Gilberto Kassab, para avaliar como ficam as decisões locais”, diz.
“Aqui na cidade, o PT é hoje oposição ao meu governo. Mas é relativo, no passado já houve coligação com o PT. O que temos que entender e respeitar é que, se os líderes nacionais porventura, fizerem esses alinhamentos, alguns prefeitos podem não ficar no PSD. Mas queremos o contrário, o PSD é o partido que mais cresceu em Minas e queremos continuar nesse caminho”, avalia Elias Diniz.
Procurado, o presidente do PSD em Minas, Alexandre Silveira, não quis comentar as divergências internas.

