O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, intensificou nos últimos dias sua atuação nos bastidores para fortalecer a candidatura de Jorge Messias à vaga aberta na Corte. Segundo apuração da Coluna do Estadão, Mendonça tem se dedicado pessoalmente a buscar apoios entre senadores, sobretudo aqueles com quem compartilha vínculos religiosos, já que tanto ele quanto Messias são descritos como “terrivelmente evangélicos”. Mesmo com esse esforço, o ministro constatou que ainda faltam votos para assegurar a aprovação do indicado do presidente Lula na sabatina marcada para o próximo dia 10.
Mendonça tem conversado com parlamentares de diferentes bancadas, mas sua interlocução principal ocorre com senadores evangélicos, considerados mais receptivos ao perfil de Messias. De acordo com um colega do STF, Mendonça está “mergulhado” nas articulações, empenhando-se para reduzir resistências e ampliar o apoio ao advogado-geral da União. Entre os maiores obstáculos está o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que tem sinalizado resistência à indicação. Procurado, Mendonça não comentou o assunto.
O próprio ministro conhece bem o peso político de Alcolumbre nesse processo. Em 2021, Mendonça esperou 142 dias até que o senador pautasse sua sabatina na Comissão de Constituição e Justiça. Agora, porém, Alcolumbre adotou estratégia oposta: acelerou a data da votação, o que, na avaliação de interlocutores políticos, poderia evitar que Messias ganhe tempo para articular apoios suficientes e virar o placar.
Desde o anúncio da indicação, Mendonça também atua junto à comunidade evangélica. No dia 21, um dia após Lula formalizar o nome de Messias, o advogado-geral da União foi recebido com um abraço por Mendonça durante encontro na Convenção da Assembleia de Deus Madureira, em São Paulo, gesto visto como demonstração pública de alinhamento e apoio.
Apesar desse movimento, parlamentares evangélicos permanecem divididos. Levantamento feito pelo Estadão entre os membros da Comissão de Constituição e Justiça mostra que Messias não inicia a disputa com vantagem: apenas cinco senadores declararam voto a seu favor. Para avançar ao plenário, ele precisa de ao menos 14 votos dos 27 integrantes da CCJ, etapa decisiva antes da apreciação final no Senado.
Foto: Rosinei Coutinho/STF

