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Os presidentes do Senado e da Câmara têm adotado posturas diferentes ante os ataques do presidente Jair Bolsonaro (PL) ao sistema eleitoral. Enquanto o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) rebate de pronto as suspeitas do chefe do Executivo sobre a lisura das urnas eletrônicas, o deputado Arthur Lira (PP-AL) se mantém em silêncio.

Pacheco prega reiteradamente o respeito à democracia e se manifesta à medida que Bolsonaro investe contra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente do Senado reagiu, por exemplo, após o chefe do Executivo comandar uma reunião com embaixadores, na segunda-feira, na qual fez acusações de fraude nas urnas eletrônicas, sem apresentar provas.

“O Congresso Nacional, cuja composição foi eleita pelo atual e moderno sistema eleitoral, tem obrigação de afirmar à população que as urnas eletrônicas darão ao país o resultado fiel da vontade do povo, seja qual for”, escreveu Pacheco nas redes sociais.

Já Lira, mais uma vez, silenciou. O presidente da Câmara é aliado de Bolsonaro e até fez coro com o chefe do Planalto na defesa do voto impresso. A relação dos dois se estreitou após o Executivo entregar ao Centrão — base de apoio do governo no Congresso — o comando do Orçamento da União.

Lira é um dos caciques do grupo. Ele age na Câmara para fazer avançar, a toque de caixa, matérias de interesse de Bolsonaro, como foi a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Benefícios, que turbinou o Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600 a menos de três meses das eleições. Lira também ignora os mais de 140 pedidos de impeachment contra o presidente da República.

Reprovação

A inércia do presidente da Câmara é alvo de reprovação de alguns pares. O deputado Marcelo Ramos (PSD-AM), ex-vice-presidente da Casa, está entre os críticos. “Silêncio mais ensurdecedor que o dos embaixadores após a patética apresentação de Bolsonaro só o do presidente da Câmara, Arthur Lira, diante dos ataques ao sistema eleitoral e à democracia. Ao posto de presidente da Câmara não é dado o direito de escolher o silêncio cúmplice”, afirmou.

O deputado Júlio Delgado (PV-MG) disse que Lira deveria “reafirmar a solidez da nossa democracia e condenar essa ameaça de golpe com a volta desse assunto de voto impresso”.

Na base do governo, houve diferentes reações. Integrantes da ala ideológica, como as deputadas Bia Kicis (PL-DF) e Carla Zambelli (PL-SP), foram às redes sociais defender Bolsonaro e avalizar a posição contrária ao processo eleitoral. Já membros do Centrão entendem como um erro a insistência nos ataques às urnas eletrônicas e ao STF.


Paola Tito

editor

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