A indústria mineira gerou sete mil cento e noventa e seis empregos formais ao longo de 2025, mesmo em um cenário marcado por juros elevados e maior restrição ao crédito. O resultado positivo foi impulsionado principalmente pelos setores extrativo e de transformação, que compensaram parcialmente as perdas registradas nos segmentos de energia, saneamento e construção.
Os dados constam em boletim da Gerência de Economia e Finanças Empresariais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, elaborado a partir das informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados. Apesar do saldo positivo, o desempenho representa uma desaceleração significativa em relação a 2024, quando a indústria mineira criou trinta e sete mil quinhentas e oitenta e nove vagas formais. A comparação indica uma queda próxima de oitenta por cento na geração de empregos industriais.
Esse arrefecimento do mercado de trabalho não se restringe à indústria. Outros setores relevantes da economia de Minas Gerais também apresentaram redução no ritmo de criação de vagas. O comércio acumulou vinte mil duzentos e oitenta e seis postos de trabalho em 2025, número inferior aos vinte e oito mil novecentos e dezenove registrados no ano anterior. Já o setor de serviços fechou o ano com saldo positivo de quarenta e seis mil quinhentas e trinta e oito vagas, contra setenta e quatro mil quatrocentas e vinte em 2024.
Para o economista-chefe da FIEMG, João Gabriel Pio, o comportamento dos indicadores revela um movimento gradual de desaceleração. Segundo ele, o cenário “evidencia processo de desaceleração gradual do mercado de trabalho em resposta aos efeitos acumulados de uma política monetária mais restritiva sobre a atividade econômica e de um mercado de trabalho já apertado, operando próximo ao pleno emprego”.
O economista observa ainda que, mesmo com a taxa básica de juros em patamar elevado, algumas medidas ajudam a sustentar a atividade. “Apesar de a taxa Selic seguir em patamar elevado, medidas de ampliação da renda disponível, como reajustes no salário-mínimo e políticas de transferência de renda, têm ajudado a evitar um arrefecimento mais abrupto da atividade econômica”, afirmou.
De acordo com a avaliação da FIEMG, a expectativa é de manutenção de saldos positivos na geração de empregos formais em 2026. No entanto, a tendência é de que esses resultados ocorram em níveis progressivamente menores, refletindo os limites impostos pelo atual ciclo econômico.
Foto: Banco de imagens/FIEMG

