Israel autorizou nesta quarta-feira o envio de 50 caminhões de ajuda humanitária ao norte da Faixa de Gaza, após os Estados Unidos pressionarem o governo israelense a agir sobre a crise humanitária na região. A ameaça de Washington, que advertiu Israel sobre a possibilidade de suspender o fornecimento de armas caso a situação não melhorasse em um mês, marcou um dos recados mais firmes dos EUA em relação ao conflito.
Os caminhões, enviados pela Jordânia, contêm alimentos, água e suprimentos médicos. Até então, Israel havia restringido severamente a entrada de ajuda no enclave palestino, deixando Gaza em uma situação crítica. Segundo a Agência da ONU para Refugiados Palestinos (UNRWA), antes do início do conflito, cerca de 500 caminhões com ajuda humanitária entravam diariamente em Gaza.
A pressão dos EUA foi formalizada em uma carta assinada pelo secretário de Estado, Anthony Blinken, e pelo secretário de Defesa, Lloyd Austin, endereçada ao ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant. No documento, os americanos acusam Israel de contribuir para a fome e o sofrimento na região ao bloquear a entrada de ajuda. Eles solicitaram que Israel aumente para 350 caminhões diários de suprimentos e melhore a segurança das áreas de distribuição.
O Hamas acusou Israel de promover uma política deliberada de destruição no norte de Gaza, onde uma nova ofensiva militar israelense está em curso. Em resposta à pressão dos EUA, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, convocou uma reunião de emergência para discutir o aumento da ajuda humanitária, em uma tentativa de evitar possíveis sanções americanas.
A Casa Branca reiterou sua expectativa de ver uma resposta construtiva de Israel, enquanto a ONU alertou para o impacto devastador da crise em Gaza.

