O dólar comercial teve queda de 1,17% e encerrou a sexta-feira (11) cotado a R$ 5,334, após a turbulência de ontem devido ao discurso do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que defendeu a necessidade de se colocar a questão social na frente de temas que interessam, segundo ele, apenas ao mercado financeiro.
Hoje, a queda de braço entre o mercado financeiro e a equipe de transição do governo Lula continuou, apesar da suposta calmaria entre os investidores. Também permanece a incerteza sobre quem irá ocupar o Ministério da Fazenda.
O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.
Pânico no mercado após fala de Lula
Ontem, a divisa encerrou o dia com alta de 4,14%, negociada a R$ 5,397, na maior variação diária desde 16 de março de 2020, quando subiu 4,9% diante do surgimento da pandemia de covid-19.
Os mercados reagiram negativamente aos dados da inflação no Brasil e nos Estados Unidos, além de ficarem apreensivos com um discurso de Lula. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou ontem o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que mostrou que a inflação veio positiva após três meses consecutivos de deflação.
Além disso, em discurso no gabinete de transição, Lula criticou o desamparo da população mais pobre em nome da estabilidade fiscal, e sinalizou que pode ampliar gastos para financiar políticas sociais.
Os investidores também não aprovaram a participação de Guido Mantega, que participou da gestão da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), na equipe de transição de governo. Hoje, em entrevista à GloboNews, ele negou que vá ser ministro.
“Dado que o IPCA veio acima do esperado nesta manhã, há uma preocupação de que uma política fiscal expansionista em 2023 contribua para uma taxa de inflação mais persistente e mais alta no próximo ano, o que forçaria o Banco Central a manter uma rigidez da política monetária por mais tempo e prejudicaria ainda mais o crescimento econômico, o que poderia afastar investidores”, disse Leonel Mattos, analista de inteligência de mercado da StoneX.
“Na parte da tarde houve as declarações de Lula colocando o fiscal aparentemente fora da lista de prioridades e depois veio anúncio do Mantega na equipe de transição, que o mercado enxerga de forma muito ruim”, disse à Reuters Paulo Cunha, especialista em mercado financeiro e fundador da iHUB Investimentos, sobre o tombo dos ativos brasileiros nesta quinta. “Foi uma conjunção de notícias muito ruins.”

