O senador Flávio Bolsonaro retornará ao Brasil nesta quarta-feira disposto a acelerar uma ofensiva política para tentar reduzir os impactos provocados pela repercussão do caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master. Depois da viagem aos Estados Unidos e do encontro com o presidente Donald Trump, o parlamentar do PL pretende retomar agendas públicas voltadas ao discurso anticorrupção e à mobilização da base conservadora em diferentes estados do país.

A primeira parada da nova etapa da pré-campanha será em Curitiba, onde Flávio participará, nesta sexta-feira, de um evento político ao lado do senador Sergio Moro e do ex-procurador Deltan Dallagnol. Os dois nomes ficaram nacionalmente conhecidos pela atuação na Operação Lava Jato e devem disputar as eleições deste ano no Paraná.

Integrantes da campanha afirmam que a presença conjunta dos três políticos busca reforçar a ligação da candidatura de Flávio com bandeiras ligadas ao combate à corrupção, à segurança pública e ao discurso de endurecimento contra crimes financeiros. A avaliação interna é que o senador precisa voltar a ocupar espaços políticos associados ao eleitorado bolsonarista tradicional após semanas marcadas por notícias envolvendo mensagens, áudios e negociações relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”.

Aliados do parlamentar consideram que a fotografia ao lado de Trump ajudou a aliviar parte das dúvidas internas sobre a viabilidade eleitoral da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Nos bastidores do PL, integrantes do partido vinham discutindo possíveis alternativas para a disputa presidencial diante do desgaste provocado pela crise envolvendo Daniel Vorcaro.

A campanha acredita que a viagem internacional ajudou a recuperar parte da confiança de empresários, lideranças evangélicas e apoiadores conservadores que passaram a demonstrar desconforto com o avanço das denúncias relacionadas ao Banco Master. Agora, a estratégia é usar a retomada das viagens nacionais para reconstruir alianças regionais e reorganizar os palanques estaduais.

Dentro do partido, a agenda em Curitiba é considerada simbólica porque ocorrerá justamente em um dos principais redutos da Lava Jato, operação que impulsionou o crescimento político da direita em 2018. A aproximação com Sergio Moro também é tratada como importante para reduzir o impacto negativo provocado pela associação do caso Vorcaro à imagem da pré-campanha presidencial.

Em entrevista ao jornal O Globo, Moro minimizou qualquer desconforto em participar do evento ao lado de Flávio Bolsonaro. Segundo o senador paranaense, a presença do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro fortalece o projeto político da oposição para as próximas eleições presidenciais.

O encontro político no Paraná contará ainda com a participação do deputado Filipe Barros e de Deltan Dallagnol. Nos bastidores, integrantes do PL avaliam que o evento servirá como teste para medir a capacidade de mobilização da militância conservadora após semanas de turbulência política.

Após a passagem por Curitiba, Flávio seguirá para Minas Gerais no próximo dia 2 e depois viajará à Bahia no dia 8. A estratégia da campanha é ampliar a presença do senador em estados considerados fundamentais para a consolidação de alianças regionais e para a recuperação da imagem política do parlamentar diante do eleitorado conservador.

Em Minas Gerais, integrantes do partido avaliam que o crescimento do governador Romeu Zema como possível presidenciável obrigou a campanha de Flávio Bolsonaro a intensificar agendas no estado para evitar perda de espaço junto ao empresariado, ao agronegócio e aos setores conservadores mineiros. O senador ainda não definiu qual será o palanque estadual apoiado pelo PL. A legenda discute internamente se lançará candidatura própria ao governo mineiro ou se apoiará o senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos. A expectativa dentro da sigla é concluir as negociações nos próximos dias para evitar novos desgastes políticos.

Na Bahia, a campanha pretende reforçar o discurso de que a crise envolvendo o Banco Master também atingiria setores ligados ao PT. A estratégia busca dividir o desgaste político atualmente concentrado sobre Flávio Bolsonaro e ampliar o debate sobre relações entre empresários, financiamento político e disputas eleitorais nacionais.

Interlocutores próximos ao senador afirmam que as viagens serão usadas para medir a recuperação da candidatura presidencial e reorganizar a comunicação da campanha. A avaliação é que eventos públicos poderão definir os rumos conservadores nacionais.

Foto: Carlos Moura/Agência Senado


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