Dois integrantes da campanha do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmaram acreditar na possibilidade de o ex-presidente ganhar mais votos de eleitores indecisos e, em consequência, ter mais chances de vencer a disputa no primeiro turno.

A campanha do petista faz a avaliação após a entrevista dele ao Jornal Nacional, nessa quinta-feira (25), de acordo com informações publicadas pela coluna de Malu Gaspar.

“Ele enfrentou o debate da corrupção, tema que o impede de crescer entre os indecisos dos setores médios. Falou de propostas, falou contra as armas, ódio, intolerância, dialogou com os indecisos que não querem o Bolsonaro devido a apologia à violência”, afirmou um interlocutor do ex-presidente.

Para outro integrante do núcleo duro da campanha, Lula “cravou no Bolsonaro a pecha de rainha da Inglaterra e implodiu o orçamento secreto”. “A diferença para Bolsonaro foi brutal”, disse.

Na entrevista ao JN, Lula criticou Jair Bolsonaro (PL), prometeu a renegociação das dívidas das famílias brasileiras, fez críticas à Lava Jato e defendeu o governo Dilma Rousseff.

A entrevista repercutiu entre 15 milhões de pessoas em postagens e em comentários, de acordo com o instituto Quaest.

Até nomes da imprensa tradicional como os jornalistas Reinaldo Azevedo, Miriam Leitão, Leilane Neubarth e Vera Magalhães fizeram elogios ao ex-presidente.

Divisor de águas

Antes de sua performance segura, envolvente, propositiva e espirituosa, na entrevista ao Jornal Nacional, Lula deparou como uma frase surpreendente de William Bonner, logo na introdução à primeira pergunta: “O senhor não deve nada à justiça”.

Este reconhecimento não só foi o divisor de águas da entrevista, como também têm enorme potencial para influenciar a campanha daqui para frente.

Líder da caçada ao ex-presidente, o Grupo Globo acabou se curvando às evidências escancaradas pela suspeição de Moro e a inocência de Lula atestada em 21 processos pelo Judiciário.

Para além de ter poupado Lula de detalhar cada uma dessas sentenças, empreitada para a qual havia se preparado, o fato de a Globo ter “enfiado a viola no saco” joga um balde água gelada sobre a estratégia de campanha de Bolsonaro, centrada em tentar colar em Lula a pecha de corrupto.

De quebra, manieta e isola ainda mais o desesperado Ciro Gomes, que não sabe fazer outra coisa na campanha que não seja ofender Lula.

Vencida a etapa da entrevista ao JN, Lula parte ainda mais seguro e relaxado para o primeiro debate, neste domingo, na Band. Até adversários admitem que Lula caminha a passos largos para a vitória. E com chances reais de liquidar a fatura no primeiro turno.