Um relatório da organização não governamental (ONG) Human Rights Watch (HRW), divulgado nesta segunda-feira (21), denuncia ataques contra migrantes na fronteira da Arábia Saudita com o Iêmen. Segundo o documento, os guardas fronteiriços sauditas mataram, em pouco mais de um ano, centenas de migrantes da Etiópia.
Os guardas fronteiriços sauditas são acusados de matar centenas de migrantes, a maioria etíopes, usando armas explosivas e armas pequenas.
No relatório da HRW, intitulado “They fired on us like rain” (“Eles dispararam contra nós como chuva”), conclui-se que “os guardas fronteiriços sauditas utilizaram armas explosivas para matar muitos migrantes e dispararam sobre outros à queima-roupa, incluindo muitas mulheres e crianças, num padrão de ataques generalizado e sistemático”.
Em alguns casos, segundo o relatório, “os guardas fronteiriços sauditas perguntaram aos migrantes em que membro deviam disparar e depois dispararam sobre eles à queima-roupa”.
No total, a HRW estima que “os guardas fronteiriços sauditas mataram pelo menos 100 requerentes de asilo e migrantes etíopes que tentaram atravessar a fronteira entre o Iêmen e a Arábia Saudita entre março de 2022 e junho de 2023”.Os migrantes procuram atravessar o Iêmen devastado pela guerra para chegar à Arábia Saudita.
A ONG defende que “os abusos sistemáticos sobre os etíopes (na Arábia Saudita) podem constituir crimes contra a humanidade” e apelou às Nações Unidas que iniciem uma investigação. A organização exigiu ainda à Arábia Saudita que revogue “imediata e urgentemente qualquer política de uso de força letal contra migrantes e requerentes de asilo”.
Pessoas mortas
Algumas das pessoas que viajavam em grupos descreveram ter sido atacadas pelos guardas fronteiriços sauditas, munidos de espingardas e de outras armas explosivas, assim que cruzaram a fronteira. Outras afirmaram que foram espancadas por guardas com pedras e barras de metal. Mais de uma dezena de entrevistados testemunharam ou foram alvo de disparos à queima-roupa e seis foram atingidos tanto por armas explosivas quanto por disparos.
Algumas das testemunhas disseram que os guardas sauditas às vezes os mantinham em centros de detenção, em alguns casos durante meses, e os espancavam.
“Um rapaz de 17 anos afirmou que os guardas fronteiriços o obrigaram, juntamente com outros sobreviventes, a abusar sexualmente de duas jovens, também elas sobreviventes, depois de terem executado outro migrante que se recusou fazê-lo”, diz o documento.
Todas descrevem um cenário de terror: vários corpos de mulheres, homens e crianças no chão, gravemente feridos ou mortos.
“Vi pessoas mortas de uma maneira que a e abusos”.

