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Praticamente nenhum analista financeiro esperava que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, fizesse uma invasão maciça da Ucrânia. Era o pior cenário de todos os banqueiros e investidores, e se confirmou.

O resultado são bolsas em queda no mundo todo, moedas se desvalorizando, mas o que mais preocupa são os preços das commodities. A Rússia é uma potência na produção de commodities muito sensíveis: petróleo, gás natural, alumínio, cobre, trigo, entre outras.

Não foi à toa que o petróleo bateu US$ 105 por barril, os preços do gás natural chegaram a subir 40% na Europa, o alumínio e níquel estão em patamares recordes. O preço do trigo registrou a maior alta em nove anos.

Segundo o professor da PUC-SP, Edmar Luiz Fagundes de Almeida, um dos maiores especialistas brasileiros no mercado de gás, a Europa está à beira de uma crise energética. O salto nos preços do gás vai ter enorme impacto na economia europeia.

A Rússia responde por 40% do gás importado pelos europeus e esse produto já estava com a oferta muito apertada e preços em alta. Além disso, os gasodutos que levam essa commodity até a Europa passam por território ucraniano – agora uma zona de guerra.

“Se houver qualquer interrupção na passagem do gás russo pela Ucrânia, a Europa vai enfrentar um racionamento de gás”, diz Almeida.

As empresas serão as principais afetadas, mas pode, sim, chegar ao mercado residencial, particularmente em países como Hungria e Romênia. Vale lembrar que é inverno na Europa.

Os analistas ainda não acreditam em risco de interrupção de fornecimento no mercado de petróleo. A Rússia é o terceiro maior produtor mundial de óleo e sanções nessa área, como ocorreu com o Iraque ou o Irã, seriam catastróficas não só para os russos, mas para toda a economia global.

De toda forma, um novo repique de inflação global está encomendado e talvez até uma recessão. É importante ressaltar que, depois de dois anos de pandemia de covid e desorganização das cadeias produtivas, os preços altos já incomodavam muito. Nos Estados Unidos, a inflação já é a maior em 40 anos.

No Brasil, os impactos da crise serão distintos. Por um lado o país ganha com o aumento dos preços das commodities, particularmente petróleo e grãos. É mais divisa e mais arrecadação por aqui.

Mas, por outro ângulo, é impossível passar incólume diante de um repique da inflação global. O Banco Central brasileiro pode ter que subir ainda mais os juros, desacelerando a economia. Ainda é cedo para saber quais desses fatores vai prevalecer.

Fonte: CNN Brasil


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