A balança comercial brasileira registrou, em janeiro, o segundo maior superávit já observado para o mês desde o início da série histórica. O resultado foi divulgado nesta quinta-feira, 5, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e refletiu principalmente a queda expressiva das importações no período. No mês passado, as exportações superaram as importações em US$ 4,342 bilhões, crescimento de 85,8% em relação ao superávit de US$ 2,337 bilhões apurado em janeiro de 2025.
O desempenho só ficou abaixo do resultado registrado em janeiro de 2024, quando o saldo positivo da balança comercial alcançou US$ 6,196 bilhões. Segundo o governo, o comportamento das compras externas foi determinante para o avanço do superávit no início deste ano.
Em janeiro, as exportações brasileiras totalizaram US$ 25,153 bilhões, o que representa queda de 1% em comparação com o mesmo mês do ano passado. Já as importações somaram US$ 20,810 bilhões, recuo mais intenso, de 9,8%, na mesma base de comparação. O valor exportado corresponde ao terceiro melhor resultado para meses de janeiro desde 1989, enquanto as importações registraram o segundo maior volume da série, atrás apenas de janeiro de 2025.
Na análise por setores, as exportações da agropecuária cresceram 2,1%. O avanço ocorreu apesar da queda de 3,4% no volume embarcado, compensada pela alta de 5,3% no preço médio. Na indústria extrativa, houve retração de 3,4%, resultado de aumento de 6,2% no volume e queda de 9,1% nos preços. Já a indústria de transformação apresentou recuo de 0,5%, com redução tanto no volume quanto no preço médio.
Entre os produtos que contribuíram para a queda das exportações, destacaram-se, na agropecuária, o café não torrado, com recuo de 23,7%, o algodão bruto, com queda de 31,2%, e o trigo e centeio não moídos, que recuaram 33,6%. Na indústria extrativa, as vendas de óleos brutos de petróleo caíram 7,8% e as de minério de ferro diminuíram 8,6%.
Na indústria de transformação, os principais destaques negativos foram o óxido de alumínio, exceto corindo artificial, com queda de 54,6%, os açúcares e melaços, com recuo de 27,2%, e o tabaco, que caiu 50,4%.
No agronegócio, as exportações de soja cresceram 91,7% em relação a janeiro do ano passado, impulsionadas pela antecipação de embarques. As vendas de milho não moído também avançaram 18,8%. No caso do petróleo bruto, a redução nas exportações alcançou US$ 364,6 milhões. Segundo o Mdic, esse comportamento é comum devido às manutenções programadas das plataformas.
A queda das importações esteve associada, principalmente, à redução das compras de petróleo e à desaceleração da economia, que diminuiu o ritmo dos investimentos. Para 2026, o Mdic projeta superávit entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões. As estimativas serão atualizadas em abril, enquanto o mercado prevê saldo de US$ 67,65 bilhões.
Foto: Divulgação/Porto de Santos

