A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano da Fundação Oswaldo Cruz promove entre os dias 18 e 21 de maio, no Rio de Janeiro, o I Congresso da Rede Global de Bancos de Leite Humano. O encontro reúne especialistas, gestores públicos, pesquisadores, representantes de organismos internacionais e integrantes da sociedade civil para discutir os avanços, desafios e perspectivas da mobilização mundial em torno da doação de leite humano. O tema escolhido para esta edição é “15 Anos Promovendo Equidade e Resiliência”, em re Bancos de leite enfrentam desafio nacional para ampliar doações humanas voluntárias
A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano da Fundação Oswaldo Cruz promove entre os dias 18 e 21 de maio, no Rio de Janeiro, o I Congresso da Rede Global de Bancos de Leite Humano. O encontro reúne especialistas, gestores públicos, pesquisadores, representantes de organismos internacionais e integrantes da sociedade civil para discutir os avanços, desafios e perspectivas da mobilização mundial em torno da doação de leite humano. O tema escolhido para esta edição é “15 Anos Promovendo Equidade e Resiliência”, em referência ao Dia Mundial de Doação de Leite Humano, celebrado em 19 de maio.
O principal objetivo do congresso é fortalecer estratégias voltadas à ampliação das doações de leite humano destinadas a recém-nascidos prematuros e bebês de baixo peso internados em unidades hospitalares. O Brasil possui atualmente mais de 230 bancos de leite humano distribuídos pelo território nacional, formando a maior e mais complexa rede do mundo nesse segmento. Apesar da estrutura consolidada, especialistas alertam que ainda existe dificuldade para alcançar o volume necessário de doações capaz de atender integralmente a demanda dos hospitais.
A coordenadora da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano e do Banco de Leite Humano do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira, da Fiocruz, Danielle Aparecida da Silva, afirmou que o maior desafio continua sendo conscientizar mulheres lactantes sobre a importância de doar o leite excedente que muitas vezes acaba sendo descartado.
Segundo Danielle, é comum que mulheres com alta produção de leite joguem fora o excedente por desconhecerem o funcionamento dos bancos de leite humano e a importância desse alimento para bebês internados. A coordenadora ressalta que o trabalho de conscientização precisa alcançar mais famílias e ampliar o conhecimento da sociedade sobre a possibilidade de doação.
Os bancos de leite humano atuam como serviços especializados de saúde voltados ao apoio à amamentação, à coleta do leite excedente e ao processamento do material doado. Após passar por rigoroso controle de qualidade, o leite humano é destinado principalmente a recém-nascidos prematuros e bebês com baixo peso, considerados mais vulneráveis e dependentes desse suporte nutricional e imunológico.
Danielle explicou que a quantidade de leite arrecadada ainda oscila bastante ao longo do ano. Segundo ela, campanhas realizadas em maio ajudam a ampliar temporariamente as doações, mas os estoques voltam a cair nos meses seguintes. O período de férias escolares e as festas de fim de ano estão entre os momentos mais críticos para os bancos de leite humano.
O Banco de Leite do Instituto Fernandes Figueira registra, em alguns meses, entre 100 e 150 doadoras, responsáveis pela produção média de 100 litros a 150 litros mensais. Ainda assim, o volume permanece insuficiente diante da demanda crescente das unidades neonatais.
A coordenadora destacou ainda que a proximidade do inverno aumenta as preocupações da rede de bancos de leite humano. Isso porque doenças respiratórias costumam elevar o número de internações de recém-nascidos e prematuros, ampliando a necessidade de leite humano nos hospitais. O alimento é considerado um recurso terapêutico essencial para fortalecer a imunidade, favorecer o desenvolvimento infantil e contribuir para altas hospitalares mais rápidas.
Mesmo diante das dificuldades, a rede brasileira registrou crescimento de 8% nas doações de leite humano nos últimos anos. Danielle considera o avanço positivo, mas afirma que ainda é insuficiente para atingir a autossuficiência em todo o país.
O Distrito Federal é atualmente a única unidade da federação que conseguiu alcançar equilíbrio entre arrecadação e demanda hospitalar, atendendo 100% dos bebês que necessitam de leite humano. Estados como Rio Grande do Sul e Santa Catarina também avançam em direção à sustentabilidade da rede.
A realidade é diferente nas regiões Norte e Nordeste, onde muitos estados possuem apenas um banco de leite humano. As exceções são Amazonas e Pará, que contam com estruturas maiores. Especialistas avaliam que a desigualdade regional dificulta o acesso ao serviço e reduz a capacidade de arrecadação em áreas mais distantes.
No estado do Rio de Janeiro existem atualmente 17 bancos de leite humano. Dois estão localizados em Petrópolis, um em Nova Friburgo, um em Campos dos Goytacazes, um em Volta Redonda e os demais estão concentrados na capital fluminense e na região metropolitana.
Apesar da estrutura disponível, Danielle afirmou que o volume de doações permanece estável e apresenta quedas em alguns períodos do ano. Segundo ela, isso demonstra que o desafio de conscientização ainda permanece longe de ser superado.
Entre os avanços destacados pela coordenadora da rede está a capacidade de adaptação desenvolvida durante a pandemia de covid-19. Com as restrições sanitárias e o distanciamento social, a rede precisou reformular campanhas e ampliar a participação da sociedade na construção das ações de mobilização.
Durante esse período, o Ministério da Saúde deixou de definir sozinho os slogans anuais das campanhas. A própria rede lançou um edital internacional aberto à participação da população. O processo recebeu propostas em inglês, francês e espanhol enviadas por representantes de diversos países.
A iniciativa reuniu sugestões dos cinco continentes. Uma votação popular escolheu como slogan vencedor no primeiro ano da pandemia a frase “A pandemia trouxe mudanças; a sua doação traz esperança”. Desde então, o modelo participativo foi mantido nas campanhas anuais.
Em 2016, por exemplo, o slogan escolhido veio do Equador com a mensagem “A solidariedade nutre e a vida cresce”. Segundo Danielle, o envolvimento internacional fortaleceu a visibilidade da causa e ampliou a integração entre os países participantes da rede global de bancos de leite humano.
O Brasil possui reconhecimento internacional na área de bancos de leite humano graças ao trabalho desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz ao longo dos últimos 40 anos. A atuação brasileira ocorre em parceria com os ministérios da Saúde e das Relações Exteriores, além da Agência Brasileira de Cooperação, da Organização Pan-Americana da Saúde e da Organização Mundial da Saúde.
A Fiocruz abriga atualmente o único Centro Colaborador da Opas e da OMS dedicado exclusivamente a bancos de leite humano em todo o mundo. O espaço coordena ações internacionais voltadas à qualificação de serviços, formação de profissionais e fortalecimento das redes em diversos países.
O Dia Nacional de Doação de Leite Humano começou a ser comemorado no Brasil em 2004. Já o Dia Mundial de Doação de Leite Humano foi criado em 2010 durante o V Congresso Brasileiro de Bancos de Leite Humano e o I Fórum de Cooperação Internacional em Bancos de Leite Humano, realizados no país.
Desde então, diversos países passaram a aderir à data, buscando incentivar a doação, ampliar o debate público e dar visibilidade ao papel estratégico dos bancos de leite humano na saúde pública mundial. Durante o congresso deste ano também serão debatidos temas ligados às mudanças climáticas, crises humanitárias, emergências sanitárias e estratégias globais relacionadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, especialmente o ODS 3, voltado à saúde e ao bem-estar.ferência ao Dia Mundial de Doação de Leite Humano, celebrado em 19 de maio.
O principal objetivo do congresso é fortalecer estratégias voltadas à ampliação das doações de leite humano destinadas a recém-nascidos prematuros e bebês de baixo peso internados em unidades hospitalares. O Brasil possui atualmente mais de 230 bancos de leite humano distribuídos pelo território nacional, formando a maior e mais complexa rede do mundo nesse segmento. Apesar da estrutura consolidada, especialistas alertam que ainda existe dificuldade para alcançar o volume necessário de doações capaz de atender integralmente a demanda dos hospitais.
A coordenadora da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano e do Banco de Leite Humano do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira, da Fiocruz, Danielle Aparecida da Silva, afirmou que o maior desafio continua sendo conscientizar mulheres lactantes sobre a importância de doar o leite excedente que muitas vezes acaba sendo descartado.
Segundo Danielle, é comum que mulheres com alta produção de leite joguem fora o excedente por desconhecerem o funcionamento dos bancos de leite humano e a importância desse alimento para bebês internados. A coordenadora ressalta que o trabalho de conscientização precisa alcançar mais famílias e ampliar o conhecimento da sociedade sobre a possibilidade de doação.
Os bancos de leite humano atuam como serviços especializados de saúde voltados ao apoio à amamentação, à coleta do leite excedente e ao processamento do material doado. Após passar por rigoroso controle de qualidade, o leite humano é destinado principalmente a recém-nascidos prematuros e bebês com baixo peso, considerados mais vulneráveis e dependentes desse suporte nutricional e imunológico.
Danielle explicou que a quantidade de leite arrecadada ainda oscila bastante ao longo do ano. Segundo ela, campanhas realizadas em maio ajudam a ampliar temporariamente as doações, mas os estoques voltam a cair nos meses seguintes. O período de férias escolares e as festas de fim de ano estão entre os momentos mais críticos para os bancos de leite humano.
O Banco de Leite do Instituto Fernandes Figueira registra, em alguns meses, entre 100 e 150 doadoras, responsáveis pela produção média de 100 litros a 150 litros mensais. Ainda assim, o volume permanece insuficiente diante da demanda crescente das unidades neonatais.
A coordenadora destacou ainda que a proximidade do inverno aumenta as preocupações da rede de bancos de leite humano. Isso porque doenças respiratórias costumam elevar o número de internações de recém-nascidos e prematuros, ampliando a necessidade de leite humano nos hospitais. O alimento é considerado um recurso terapêutico essencial para fortalecer a imunidade, favorecer o desenvolvimento infantil e contribuir para altas hospitalares mais rápidas.
Mesmo diante das dificuldades, a rede brasileira registrou crescimento de 8% nas doações de leite humano nos últimos anos. Danielle considera o avanço positivo, mas afirma que ainda é insuficiente para atingir a autossuficiência em todo o país.
O Distrito Federal é atualmente a única unidade da federação que conseguiu alcançar equilíbrio entre arrecadação e demanda hospitalar, atendendo 100% dos bebês que necessitam de leite humano. Estados como Rio Grande do Sul e Santa Catarina também avançam em direção à sustentabilidade da rede.
A realidade é diferente nas regiões Norte e Nordeste, onde muitos estados possuem apenas um banco de leite humano. As exceções são Amazonas e Pará, que contam com estruturas maiores. Especialistas avaliam que a desigualdade regional dificulta o acesso ao serviço e reduz a capacidade de arrecadação em áreas mais distantes.
No estado do Rio de Janeiro existem atualmente 17 bancos de leite humano. Dois estão localizados em Petrópolis, um em Nova Friburgo, um em Campos dos Goytacazes, um em Volta Redonda e os demais estão concentrados na capital fluminense e na região metropolitana.
Apesar da estrutura disponível, Danielle afirmou que o volume de doações permanece estável e apresenta quedas em alguns períodos do ano. Segundo ela, isso demonstra que o desafio de conscientização ainda permanece longe de ser superado.
Entre os avanços destacados pela coordenadora da rede está a capacidade de adaptação desenvolvida durante a pandemia de covid-19. Com as restrições sanitárias e o distanciamento social, a rede precisou reformular campanhas e ampliar a participação da sociedade na construção das ações de mobilização.
Durante esse período, o Ministério da Saúde deixou de definir sozinho os slogans anuais das campanhas. A própria rede lançou um edital internacional aberto à participação da população. O processo recebeu propostas em inglês, francês e espanhol enviadas por representantes de diversos países.
A iniciativa reuniu sugestões dos cinco continentes. Uma votação popular escolheu como slogan vencedor no primeiro ano da pandemia a frase “A pandemia trouxe mudanças; a sua doação traz esperança”. Desde então, o modelo participativo foi mantido nas campanhas anuais.
Em 2016, por exemplo, o slogan escolhido veio do Equador com a mensagem “A solidariedade nutre e a vida cresce”. Segundo Danielle, o envolvimento internacional fortaleceu a visibilidade da causa e ampliou a integração entre os países participantes da rede global de bancos de leite humano.
O Brasil possui reconhecimento internacional na área de bancos de leite humano graças ao trabalho desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz ao longo dos últimos 40 anos. A atuação brasileira ocorre em parceria com os ministérios da Saúde e das Relações Exteriores, além da Agência Brasileira de Cooperação, da Organização Pan-Americana da Saúde e da Organização Mundial da Saúde.
A Fiocruz abriga atualmente o único Centro Colaborador da Opas e da OMS dedicado exclusivamente a bancos de leite humano em todo o mundo. O espaço coordena ações internacionais voltadas à qualificação de serviços, formação de profissionais e fortalecimento das redes em diversos países.
O Dia Nacional de Doação de Leite Humano começou a ser comemorado no Brasil em 2004. Já o Dia Mundial de Doação de Leite Humano foi criado em 2010 durante o V Congresso Brasileiro de Bancos de Leite Humano e o I Fórum de Cooperação Internacional em Bancos de Leite Humano, realizados no país.
Desde então, diversos países passaram a aderir à data, buscando incentivar a doação, ampliar o debate público e dar visibilidade ao papel estratégico dos bancos de leite humano na saúde pública mundial. Durante o congresso deste ano também serão debatidos temas ligados às mudanças climáticas, crises humanitárias, emergências sanitárias e estratégias globais relacionadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, especialmente o ODS 3, voltado à saúde e ao bem-estar.
Foto: BLH IFF/Fiocruz

