Por Mauro Ferreira

Para o percussionista Pedro Fernandes, idealizador e fundador em 2012 da banda Mano Unica, o Brasil deve ser entendido como parte integrante da América Latina, e não como um país isolado no continente de língua hispânica. Foi com esse entendimento que o grupo paulistano gravou o segundo álbum, Nascentes, posto em rotação na sexta-feira, 26 de janeiro.

Ao longo das dez músicas inéditas no disco, estruturadas em três movimentos, a banda transita por gêneros musicais menos visíveis no atual universo pop nacional,, como candombe, chacarera, coco, cumbia, maracatu, candombe, coco, ijexá, vidala e zamba.

Para que esse trânsito soe fluente, a banda Mano Unica é formada por Julio Dreads Oliveira (voz principal e percussão), Leandro Canhete (percussão e voz), Pedro Rodrigues (percussão), Macarena Rozic (voz), Lourdes Miranda (voz), Fernando Salvador (guitarra), Thor Moura (baixo) e Pedro Vithor Almeida (clarinete e sax Soprano) – músicos que têm em comum a familiaridade com as sonoridades latino-americanas, misturadas no disco Nascentes.

A música Brasa (Leandro Canhete, Thor Moura e Loreta Colucci), por exemplo, mixa coco e cumbia, trazendo a voz da cantora Fabiana Cozza. Já o tema instrumental Mar de fuego (Pedro Rodrigues e Pedro Vithor Almeida) desagua no álbum Nascentes com células rítmicas do candombe e do maracatu em gravação feita com os sopros dos músicos da banda Samuca e a Selva, representada por Bio Donato, Chiquinho de Almeida, Felipe Pipeta, Kiko Bonato e Victor Fao.

Ideologicamente, o disco também se afina com a América Latina. Guerrilha (Pedro Rodrigues, Fernando Salvador e Thiago Elniño) versa sobre as resistências negra e indígena ao longo do processo de colonização capitaneado por europeus no Brasil.

O disco Nascentes sucede Lecturas (2019) na cronologia de álbuns da banda Mano Unica.


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